segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A resposta, meu amigo, está soprando ao vento...

Irma, chegando a Cuba. Imagen da NASA.
"Quantas vezes um homem deve olhar para cima antes de conseguir ver o céu?
Sim, e quantos ouvidos um homem deve ter para poder conseguir ouvir as pessoas chorarem?
Sim, e quantas mortes serão necessárias até ele saber que pessoas demais morreram?
A resposta, meu amigo, está soprando ao vento!
A resposta está soprando ao vento..."  (Bob Dylan)

sábado, 9 de setembro de 2017

Sobre Irma e Harvey, texto de Michael Mann et al., traduzido por Adriano Facioli

Os furacões Irma e Harvey devem acabar com qualquer dúvida de que a mudança climática é real. Não podemos continuar fingindo.
Michael E. Mann, Susan J. Hassol e Thomas C. Peterson
The Washington Post, 07/09/2017
Quando começamos passar a limpo o furacão Harvey, o furacão mais úmido já registrado, despejando até 50 polegadas de chuva em Houston em três dias e aguardando a chegada de Irma, o furacão mais poderoso já registrado no Oceano Atlântico, as pessoas estão perguntando : Qual é o papel das mudanças climáticas induzidas pelo homem nesses eventos, e de que outra forma nossas próprias ações aumentaram nossos riscos?
Os princípios físicos fundamentais e as tendências meteorológicas observadas demonstram que já conhecemos algumas das respostas - e já há bastante tempo.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Gaia, a Incensurável

Nesta semana, uma cientista da Northeastern University recebeu uma mensagem do Departamento de Energia dos EUA em que lhe foi solicitado que fossem retiradas do resumo do projeto por ela submetido (e aprovado para financiamento) as palavrinhas mágicas “climate change” (mudança climática). Na verdade, o e-mail do(a) funcionário(a) é bastante explícito, pois fala abertamente da necessidade de literalmente “remover” termos como “climate change” e “global warming” (aquecimento global), a fim de se adequar a “restrições orçamentárias da Presidência”. A pesquisadora publicou um print desse e-mail em sua página pessoal no Facebook, mas retirou posteriormente. Nele, aparecia o resumo original, que mostra que a pesquisa está voltada para o comportamento dos “sapais” (ecossistema costeiro alagado pela água salgada) em condições de excesso de nitrogênio, o que poderia comprometer a sua capacidade de sequestro de carbono e até, no processo de decomposição, fazer com que eles liberem CO₂ e intensifiquem o efeito estufa.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Negacionismo, esse Pinóquio Zombie

Negacionismo, esse Pinóquio zombie...  
Como infelizmente temos assistido a um recrudescimento do negacionismo nas redes sociais, estamos tendo de dedicar um esforço extra para combater a patifaria desinformação disseminada, nociva em diversas dimensões: 1) deseduca, no sentido literal da palavra, pois repassa ao público leigo e especialmente à juventude em idade escolar noções falsas sobre o nosso mundo físico; 2) mina de forma totalmente irresponsável a credibilidade da ciência que, mesmo considerando seus limites e sua inserção no contexto social, econômico, etc., não pode ser negada como grande conquista humana; 3) ao negar a existência de um problema tão grave, que pode mesmo ser considerado o maior dilema civilizacional jamais posto diante da humanidade, sabota a consciência coletiva sobre a necessidade de incidir sobre ele de maneira urgente e resoluta.

Claro, mesmo sabendo da "Assimetria de Brandolini" ("a quantidade de energia necessária para refutar bobagens é uma ordem de magnitude maior do que para produzi-la"), não há saída mágica. Só informação pode dar conta de enfrentar o negacionismo, esse Pinóquio zombie que tanto mente compulsivamente como se recusa a assumir que está morto e apodrecido. Neste "post" selecionamos alguns dos mitos negacionistas que insistem em se levantar da tumba e cuja refutação apresentamos em nossa fanpage no Facebook.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Serra Leoa: precisamos falar de pobreza, desigualdade e mudanças climáticas

Quase 500 mortes confirmadas e mais de 600 pessoas ainda desaparecidas. É o saldo terrível dos deslizamentos ocorridos em Serra Leoa nos últimos dias. A pouca atenção da mídia internacional à catástrofe em si faz com que o silêncio paire ainda mais absoluto sobre dois aspectos intrinsecamente ligados a ela: a pobreza e as mudanças climáticas.

Serra Leoa é o país de menor expectativa de vida do mundo: 50,1. É também o 178o menor PIB per capita segundo a ONU e o 9o menor Índice de Desenvolvimento Humano. Seus habitantes emitem uma quantidade insignificante de gases de efeito estufa: apenas 0,2 toneladas por habitante por ano, uma pegada 12,5 vezes menor do que um “brasileiro médio” e mais de 80 vezes menor do que a média de quem mora nos EUA.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

De onde saiu tanto negacionismo?

Nas últimas duas semanas pensei várias vezes na frase “quanto mais rezo, mais assombração me aparece”. Daí lembrei que, como bom ateu, nem rezo nem deveria acreditar em assombração.

Mas com efeito, certas assombrações do mundo real existem e são, além de teimosas, nocivas. Há diversas pragas anticientíficas, incluindo o criacionismo, a negação de que o homem tenha ido à Lua, o movimento antivacina e até o terraplanismo, mas o negacionismo climático é certamente a mais prejudicial. Envolve vínculos econômicos poderosíssimos (como mostramos em artigo na Revista Vírus) e chegou à presidência da nação mais poderosa do planeta através de Trump, o Nero Laranja. Diferente de outras fraudes anticiência, o negacionismo climático incide sobre políticas públicas e o faz justamente quando sabemos que as consequências da inação serão profundas e duradouras quanto mais seguirmos com os “negócios como sempre”.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Trump bombardeia o Clima

Trump como meteoro.
Fonte: Der Spiegel
Embora extremamente insuficiente e limitado nos mecanismos de proteção do sistema climático, o acordo celebrado em 2015, na COP21 em Paris, reconhecia claramente a necessidade de limitar o aquecimento global e contou com a pronta adesão de quase todos os países-membros da ONU. Síria e Nicarágua eram, até esta quinta-feira 1o de Junho de 2017 os únicos países fora do tratado. A Síria, presa em um quadro de caos, guerra, devastação e migração. A Nicarágua, vejam só, por considerar o Acordo fraco demais, impróprio no sentido de não atribuir responsabilidades proporcionais entre países ricos e pobres, e tendo ela promovido medidas de mitigação bem antes da COP21. A novidade: bombardeada pelos EUA logo no inicio da desastrosa gestão de Donald Trump, a Síria agora recebe a companhia do algoz.

Não é surpresa. Desde bem antes da campanha eleitoral, Trump insiste no negacionismo climático. Pelo twitter, ele já havia decretado que o aquecimento global seria “uma farsa inventada pelos chineses” para prejudicar a competitividade da indústria dos EUA. O anúncio da eleição do bilionário fanfarrão foi suficiente para fazer as ações das companhias de carvão e petróleo decolarem nas bolsas, assim como viriam a decolar mais tarde as ações das corporações do setor bélico em abril, após Trump mandar despejar 59 mísseis Tomahawk contra uma base aérea do país com que agora divide a infâmia de estar de fora do Acordo de Paris.

A resposta, meu amigo, está soprando ao vento...

Irma, chegando a Cuba. Imagen da NASA. "Quantas vezes um homem deve olhar para cima antes de conseguir ver o céu? Sim, e quantos ...

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