sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Aquecimento Global: 79 Anos de Evidências

Guy Callendar (1897-1964). Foto: Wikipedia.
Um dos aspectos da desinformação difundida pelos negacionistas climáticos é esconder a história da Ciência do Clima, como se as evidências do aquecimento global e de seu caráter antrópico tivessem surgido agora, da cabeça de alguns "cientistas conspiradores". Peço que leiam com atenção o texto a seguir:

"Pela combustão, o homem adicionou cerca de 150.000 milhões de toneladas de dióxido de carbono ao ar durante o último meio século. O autor estima, a partir dos melhores dados disponíveis, que cerca de três quartos disto permaneceu na atmosfera. Os coeficientes de absorção de radiação de dióxido de carbono e vapor d'água são usados para mostrar o efeito do dióxido de carbono na "radiação celeste". A partir disso, o aumento da temperatura média, devido à produção artificial de dióxido de carbono, é estimado em 0,003ºC por ano, na atualidade. As observações de temperatura em estações meteorológicas do mundo são usadas para mostrar que as temperaturas mundiais na verdade aumentaram a uma taxa média de 0,005°C por ano durante o último meio século."

É este o resumo de um artigo intitulado "A Produção Artificial de Dióxido de Carbono e sua Influência na Temperatura", publicado por Guy Stewart Callendar, em 16 de fevereiro de 1938, há 79 anos, portanto.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Especial para nosso blog: Entrevista com Daniel Tanuro sobre Crise Ecológica e Ecossocialismo

Daniel Tanuro é militante ecossocialista, autor do livro "O
Impossível Capitalismo Verde", integrante da seção belga da
Quarta Internacional.
Ele é certamente uma das vozes que bradam mais alto por um giro ecológico junto à esquerda. Juntamente com Michael Löwy e outros membros da Quarta Internacional, tem empreendido um importante e decisivo esforço teórico no campo do que convencionamos denominar de "Ecossocialismo".

Ele não hesita em dizer que a tarefa dos ecossocialistas é "intervir em nome da natureza no debate social" e é direto quando diz que "abolir o capitalismo é uma condição necessária para (...) uma relação não-predatória da humanidade com o resto da natureza, mas não suficiente." É com grande prazer que trago para vocês a íntegra da entrevista, a seguir.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Segue o Seco

Carcaças de cágados no piso do açude do Cedro (Quixadá),
inteiramente seco. Foto: Hugo Fernandes Ferreira
"Segue o seco sem sacar que o caminho é seco
Sem sacar que o espinho é seco
Sem sacar que seco é o Ser Sol
Sem sacar que algum espinho seco secará
E a água que sacar será um tiro seco
E secará o seu destino seca"

(Carlinhos Brown)

(*) Este artigo foi originalmente publicado no site do Observatório do Clima

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ciência, Clima, Rogue One

Na Women's March, cientistAs presentes!

O processo já vem de algum tempo. Figuras como James Hansen, Michael Mann, Katharine Hayhoe, Kevin Anderson, dentre outros climatologistas, passaram a dedicar parte importante de suas energias para o diálogo público, a defesa da ciência, a reverberação do alerta acerca da ameaça das mudanças climáticas, o combate ao negacionismo, etc. Mais recentemente, o twitter se viu tomado de contas "rogue" (ótimo exemplo é a Rogue Nasa), numa reação em cadeia à censura e caça às bruxas anticiência e antiambientalismo já nos primeiros dias da gestão Trump, nos EUA. 


Felizmente, a Ciência do Clima agora está recebendo uma solidariedade maior dos pares de outros ramos do conhecimento. Até porque a brutalidade obscurantista em voga tem surgido também noutros terrenos, da vacinação à Evolução das Espécies. Há até mesmo uma Marcha pela Ciência marcada para o Dia 22 de Abril (Dia da Terra), fortemente inspirada na participação de colegas cientistas na Marcha das Mulheres em 21/01.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Ratoeira

A humanidade se deixou aprisionar material, cultural e ideologicamente numa gigantesca armadilha: a de ignorar que se vive em um planeta limitado e com um clima cuja estabilidade foi (e continua sendo) fundamental para a sobrevivência de nossa espécie, bem como de inúmeras outras.

A cada dia que passa, vai ficando mais evidente que as mudanças climáticas não são algo remoto, para futuras gerações que ainda não conhecemos, tampouco algo abstrato. Afeta e afetará ainda mais cada um(a) dos(as) já viventes. E naquilo que mais nos é essencial.

Estimativas de Temperatura por Satélite: Como distorcer uma informação além do limite

Pseudociência recebendo resposta. Eu e vários colegas
cientistas questionamos o Comitê de Ciência, Espaço
e Tecnologia do Congresso dos EUA pelo twitter.
Neste último dia 03 de Janeiro, a conta do Comitê de Ciência (cof, cof), Espaço e Tecnologia do Congresso dos EUA no twitter publicou, no miniblog, a seguinte frase altissonante: "Dados de satélite contam uma história que os alarmistas do clima não querem ouvir. Não se ajusta à narrativa deles." E completa com um link. O link, por sua vez, nos leva a uma publicação na página de Roy Spencer, com o título "Satélites globais: 2016 estatisticamente não [foi] mais quente que 1998". Spencer é um velho pesquisador da Universidade do Alabama, em Huntsville (UAH) que embora tenha tido uma carreira de verdade no meio científico, optou por ser um dos poucos que, no meio acadêmico, se prestaram ao papel lamentável de dar suporte ao negacionismo climático. Ele é figurinha repetida nos eventos promovidos pelo Instituto Heartland, uma organização financiada pela indústria de combustíveis fósseis para propaganda anticiência, valendo-se da experiência que adquiriu ao dar suporte à indústria do tabaco quando esta tentava evitar que medidas de restrição ao fumo fossem tomadas, afetando seus lucros. Spencer também é convidado para defender grandes empresas do ramo fóssil como a Peabody (assumidamente a maior companhia privada de carvão do mundo).

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Porque você nunca deve apostar contra um Cientista do Clima!

No "cassino do clima", não é inteligente apostar contra as
leis da natureza. 
Há duas semanas aconteceu em San Francisco, um encontro da American Geophysical Union (AGU): o AGU Fall Meeting. Em meio ao número enorme de sessões que ocorreram, vou chamar atenção para uma, sob o nome curioso de "Apostando na Mudança Climática: mercados de previsões, avaliação de riscos, seguros, consenso científico e decisões sobre políticas". Como revelou o organizador da sessão, Mark Boslough, em um artigo para o Huffington Post divulgando essa sessão, havia uma história interessante por detrás: a história de uma aposta...