quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Negacionismo desmascarado!

Willie Soon teve seus vínculos com a indústria de combustíveis
fósseis mais uma vez revelado. Além disso, é preciso dizer que
os trabalhos supostamente científicos nos quais Soon tem se
envolvido não passariam num filtro minimamente rigoroso de
revisão por pares. Eu mesmo, só em ler o resumo da publicação
mais recente em que ele aparece como co-autor, junto a um ne-
gacionista tosco como Christopher Monckton, detectei nada
menos do que 4 erros graves!
Para mim, evidentemente não houve nenhuma grande surpresa. No entanto, Wei-Hock Soon ou "Willie Soon") vinha sendo o "queridinho" da claque negacionista nos EUA, usando de seu poder de retórica e de sua boa posição na comunidade científica (Soon é vinculado ao Centro Smithsonian de pesquisa em Astrofísica, um instituto conceituado, criado numa colaboração entre Smithsonian Institution e Harvard University), especialmente após servir como lastro pretensamente científico a um artigo publicado no Chinese Science Bulletin, órgão de divulgação da Academia Chinesa de Ciências, encabeçado por ninguém menos do que um dos negacionistas mais descredenciados, o famigerado "Lord" Monckton, um bufão que, graças ao apoio de Soon agora pode exibir um artigo "científico" no currículo...


domingo, 15 de fevereiro de 2015

"Não vou me adaptar"

Há limites muito estritos para a adaptação às mudanças climáticas.
Por que, então, alguns segmentos têm insistido em falar mais de
uma adaptação impossível do que da mitigação necessária?
Nando Reis em sua "Não Vou me Adaptar" lá pelas tantas pergunta: "Será que eu falei o que ninguém ouvia? Será que eu escutei o que ninguém dizia?". É uma boa maneira de retratar o impressionante descompasso que persiste, entre o que a Ciência do Clima "escuta" a partir dos dados das mais diversas origens e o que ela diz a guisa de conclusões sobre a mudança climática e seus riscos. Pior, há um sério perigo hoje em dia, por conta dos ouvidos moucos das corporações, dos governos e da população em geral, de um recuo ou rebaixamento no discurso, de uma tentativa de, não contando uma história tão terrível quanto a real, conseguir um mínimo de atenção.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O assalto do negacionismo à SBMet

"Dois lados"... ah, tá...
Imagine a diretoria da ANPURH (Associação Nacional de História) debatendo se "houve ou não" Holocausto na 2ª Guerra Mundial, dando igual voz aos negacionistas que dizem que o massacre nunca existiu e aos historiadores que trabalham com todas as evidências daquela manifestação explícita de barbárie e crueldade de Estado...

Ou o dirigente máximo da SBBq (Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia) propondo abrir um debate sobre a eficácia das vacinas em que tenhamos os conspiracionistas antivax...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Entrevista à "Vírus Planetário"


Recentemente fui convidado pela equipe da Vírus Planetário, um bom veículo de mídia alternativa que está também abrindo cada vez mais espaço para a pauta ambiental. O mote é o caos climático e o balanço da COP20, em Lima, mas, ainda que ela não tivesse atingido ainda a profundidade do momento atual, a crise hídrica também entrou em pauta. Agradeço de público à equipe da Vírus e espero que, através dela, o público possa ter cada vez mais acesso a informações ligadas a essa temática.

400 partes por milhão e a Luta de Classes (artigo de Victor Wallis)

Desde 1958 a concentração de CO2 vem sendo medida na es-
tação de Mauna Loa, no Havaí. Seu crescimento é incessante
e acelerado, ofuscando o que deveria ser o padrão natural de
"sobe-e-desce" da "respiração" e fotossíntese globais.
Apresentamos um artigo bastante interessante, de autoria de Victor Wallis, originalmente publicado em "Spectrezine", republicado por "Socialism and Democracy", e por "Climate and Capitalism".

Como se sabe, o CO2 anualmente tem um "sobe-e-desce", associado ao ciclo das estações do ano principalmente no Hemisfério Norte. No outono para o inverno, as árvores perdem as folhas e sua decomposição gera CO2 que vai para a atmosfera, enquanto na primavera e verão, as folhas renascem, a fotossíntese domina e a sua concentração cai. Acontece que quando se olha para uma sequência de vários anos, o padrão que se obtém é a chamada "Curva de Keeling", mostrando claramente que a acumulação de CO2 causado pelas emissões humanas é o padrão dominante e que esse aumento tem se acelerado incessantemente.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Refinaria: porque comemorar a sua não vinda!

Capa de um dos principais jornais cearenses a respeito
da decisão da Petrobrás. Muito pior seria chorar por
um óleo derramado. A não-vinda da Refinaria é, pelo
contrário, motivo para comemorar!
As lamúrias em torno do anúncio, por parte da Petrobrás, de que não daria continuidade ao projeto da Refinaria Premium II, levou praticamente toda a grande mídia local (como o Jornal OPOVO, cuja capa é mostrada ao lado) e políticos (como Tasso Jereissati) visceralmente alinhados aos interesses dos mais ricos em nosso estado a um queixume em coro uníssono  (isso para não falar das próprias declarações do governador cearense Camilo Santana).

Sem que isto represente de minha parte nenhuma solidariedade ao governo federal e estadual, que propagandearam a refinaria, iludiram e capitalizaram em cima da promessa, para mim há algo muito mais importante em jogo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Para. Para tudo. Já.

Uma das maiores panacéias que vêm sendo vendidas à sociedade brasileira é que a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia irá nos assegurar segurança energética no futuro. Há também toda uma chantagem do tipo "ou isso ou as termelétricas", estas, que seriam apenas uma reserva energética mas que estão literalmente a todo vapor e a todo CO2, além de levarem a um aumento no valor médio da tarifa. A ostensiva campanha em torno de Belo Monte, Jirau e outros belos monstros anestesia grande parte da sociedade brasileira, que prefere ver os povos indígenas do Xingu e do Tapajós completamente extintos a trocarem seu chuveiro elétrico por um sistema de aquecimento solar de água (calma... de que água mesmo estamos falando?).