segunda-feira, 25 de abril de 2016

Brasil: Leilão de Energia com Termelétricas contraria Acordo de Paris

Num discurso impecável, DiCaprio defendeu que sejam
rapidamente abandonadas as fontes fósseis de energia
No dia da assinatura do Acordo de Paris, Leonardo DiCaprio fez um discurso brilhante, defendendo o fim dos combustíveis fósseis e Evo Morales criticou duramente o capitalismo como principal causador, em última instância, das mudanças climáticas (embora haja críticas bastante procedentes à abertura que o governo de Morales tem dado para a exploração de hidrocarbonetos em seu país). A eles, somaram-se o senso de urgência declarado de Ban-Ki-Moon, o depoimento emocionante da representante da sociedade civil, Hindou Oumarou Ibrahim, do povo Mbororo, de Chad. Isso já teria sido suficiente para ofuscar os discursos mais protocolares, como o que Dilma proferiu. Mas é preciso reconhecer que mesmo com a crise interna e ainda sob efeito do show de horrores do dia 17/04, a presidenta tocou em pontos importantes: desmatamento e menor dependência das fontes fósseis.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Golpe mesmo é o Antropoceno!

Nas últimas semanas, a ebulição política no Brasil, com manifestações de rua, grampos nos telefonemas trocados entre Lula e Dilma, condução coercitiva do ex-presidente e processo de impeachment sobre a atual, documentos da Odebrecht incriminando meio mundo (Aécio, Cunha, Alckmin, Renan Calheiros e quem mais interessar possa), tem deixado pouco espaço para se discutir qualquer outra coisa. Afinal, o que pode ser mais importante do que uma crise política tão aguda, com desdobramentos quase imprevisíveis e que pode levar até a ameaças às liberdades democráticas com grupos fascistas ou similares se assanhando? Então... Acreditem... tem coisa bem mais relevante e bem mais perigosa. Os que quiserem saber do meu posicionamento político sobre a atual conjuntura brasileira, é fácil. Basta dar uma olhadinha em minhas páginas pessoais nas redes sociais. Mas aqui, o assunto, como vocês sabem, é clima. E na semana passada, dois artigos caíram como verdadeiras bombas, fazendo com que a crise climática, que já se sabia ser potencialmente muito perigosa, se revelasse muito pior, mais profunda, mais rápida: um na Nature Geoscience e outro, encabeçado por James Hansen na Atmospheric Chemistry and Physics. Os conteúdos são de arrepiar. Mostram que golpe mesmo é o Antropoceno. Mas antes de chegarmos lá, algumas considerações...

segunda-feira, 14 de março de 2016

50 Ilhas e 1 destino - Por Caio Almendra

Nauru, uma tragédia ambiental em curso. Uma amostra do que
pode resultar a deflagração de uma guerra contra o ambiente
que nos sustenta. Exatamente o que temos feito, em escala
global, ao aquecer o sistema climático terrestre
Em Teoria Geral do Estado, uma disciplina do Direito, aprendemos que um país é formado por um território(um espaço físico), seu povo(quem habita tal espaço ou é ligado cultural e juridicamente a ele) e a soberania(a relação jurídica entre o Estado e seu território). A perda completa de um dos três encerra o país.

Assim, a única causa de um país ir ao fim é a perda de soberania por perda de território. Até o século passado, isso só acontecia em uma situação: guerra. No final do século passado, outra situação foi aventada em Nauru. Nesse século, podemos ver outra situação acontecer em mais de 50 ilhas e três nações.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

E o clima? Por um verdadeiro debate sobre o pré-sal.

Senador José Serra, autor do projeto que favorece as grandes
corporações do ramo petroquímico e potencializa as emissões
de CO2.
Após ser assegurado o regime de urgência em sua votação, o Senado Federal aprovou (nesta quarta-feira, 24/02), por 40 votos favoráveis, 26 contrários e duas abstenções, o projeto de lei que altera as regras de exploração de petróleo do pré-sal. Em essência, a proposta faz com que a Petrobrás perca a exclusividade das atividades no pré-sal e faz com que, em lotes a serem definidos e submetidos a leilões com as mesmas regras de fora do pré-sal, não haja mais a obrigatoriedade de a Petrobrás entrar com pelo menos 30% dos investimentos em todos os consórcios de exploração. Mas o debate tem andado longe de abordar a real essência do problema.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Balanço da COP21. Parte III: Onde estão os recursos para resolver a crise climática?

Nos três textos anteriores de análise dos resultados da COP21 (aqui, aqui e aqui) mostrei que, apesar de o Acordo sinalizar como objetivo limitar o aquecimento global em níveis "bem inferiores a 2°C acima dos valores pré-industriais", existe uma incompatibilidade entre as orientações genéricas para os anos do pico de emissões e do "equilíbrio entre fontes e sumidouros" e este mesmo objetivo. O aparente senso de urgência expresso na parte introdutória do Acordo de Paris, não é materializado em medidas práticas à altura dessa mesma urgência. Como é impossível resolver a crise climática sem atingir o sistema econômico que a causou, fica claro que, do ponto de vista material, a generalidade nas metas pariu a timidez nas ações. Em particular, a mobilização de recursos e a política de transferência de tecnologias apresentados são de uma insuficiência gritante, mostrando que não pode haver maior inimigo do clima do que a proteção implícita dos interesses privados, dos privilégios e privilegiados, das corporações e dos países ricos.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

COP21: Apesar do Show, o Copo Está 80% Vazio (por Daniel Tanuro)

Daniel Tanuro, ambientalista/ecossocialista belga
A Conferência do Clima (COP21, em Paris) levou, como esperado, a um acordo. Ele entrará em vigor a partir de 2020 se for ratificado por 55 dos países que são signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e que representem pelo menos 55% das emissões globais de gases de efeito estufa. À luz das posições tomadas em Paris, esta dupla condição não deve levantar qualquer dificuldade (embora a não ratificação do Protocolo de Quioto pelos Estados Unidos mostra que surpresas são sempre possíveis).

sábado, 19 de dezembro de 2015

O Irrelevante, o Insuficiente e o Necessário. Parte III: INDCs

Vilarejo de "Needmore", no Texas, onde
nunca moraram mais do que 100 pessoas
Abrimos parênteses neste momento na série de artigos de balanço do Acordo de Paris para retomarmos outro conjunto de publicações, intitulada "O Irrelevante, o Insuficiente e o Necessário", no qual já analisamos o plano de mudanças climáticas de Obama e as metas de mitigação apresentadas pelo Governo Dilma antes da COP21. Na verdade, neste ponto, as duas séries se cruzam, pois o Acordo de Paris depende inteiramente das chamadas INDCs, as Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas (Intended Nationally Determined Contribution)