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Mostrando postagens de 2013

Zizero!

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Não pretendo abrir uma ampla polêmica em torno da obra de Slavoj Žižek, o tão conhecido filósofo esloveno, que faz tanto sucesso nos corredores da esquerda nos dias de hoje. Confesso que não havia lido nenhum de seus livros até pouco tempo atrás e que apenas guardava pé atrás com o tratamento de astro pop dado a ele por tanta gente (nada estranho ao meu tradicional ceticismo de cientista).

Tudo começou, porém, quando divulguei a notícia de que o congresso da esquerda radical européia havia aprovado o Ecossocialismo como plataforma e, daí, ao comentar que isso era uma boa notícia, mas que a má notícia é que 43% do congresso havia votado contra, chamaram-me atenção para as posições de Žižek nesse terreno.



Supertufão Haiyan: dentro de cada nova tempestade violenta está o DNA da indústria de combustíveis fósseis e do capitalismo

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Este texto de minha autoria foi escrito originalmente em língua inglesa, e foi inicialmente publicado, em sua versão completa e em uma versão reduzida, em diversas páginas da internet dedicadas à luta contra a mudança climática e pelo ecossocialismo, incluindo, Campaign against Climate ChangeInternational Viewpoint, Socialist Resistance. Reproduzo-o agora em meu blog, 


No momento em que escrevia este artigo, nas Filipinas, a contagem dos mortos atingia 4000 pessoas e continuava a crescer [1], 12 dias após o Supertufão Haiyan (também chamado de "Yolanda") atingiu aquele país com o poderio de ventos sustentados de 310 km/h e rajadas que chegaram a 375 km/h. Ele foi classificado como de "Categoria 5", a classe das tempestades mais poderosas, usando a escala atualmente adotada para classificar furacões [2]. No entanto, com ventos tão fortes, se uma nova classe fosse adicionada à escala oficial, Haiyan certamente seria classificado como "Categoria 6". Ele fo…

Entrevista ao "Letra P", da Argentina

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Concedi, recentemente, entrevista ao "letra P", importante portal de notícias da Argentina, através do companheiro Bruno Bimbi, que nele publica. O original da entrevista, em espanhol, pode ser encontrado neste link. Na entrevista, abordo a gravidade da questão dos leilões do petróleo no Brasil e sua ligação com as questões ambiental e climática.
1) Você poderia explicar o que foi exatamente que o governo Dilma fez com as reservas do pré-sal?
O governo Dilma colocou a leilão a exploração do Campo de Libra, uma das maiores reservas petrolíferas do mundo, estimada em 8 a 12 bilhões de barris de petróleo. O leilão levou à conformação de um único consórcio, envolvendo, além da Petrobrás, duas estatais chinesas e duas gigantes europeias do ramo do petróleo, Shell (anglo-holandesa) e Total (francesa). Vergonhosamente arrebatado pelo preço mínimo, o direito à exploração do referido campo se dará com a Petrobrás como minoritária (40% da cota, apenas 10% acima da proporção mínima previ…

Primeiro Aniversário do Blog!

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Hoje estamos comemorando o aniversário do nosso "O Que Você Faria..."! Foram 88 "posts" publicados, como parte de um esforço sincero de divulgação da Ciência do Clima e de discussão do necessário vínculo entre mudança climática e sociedade. Em resposta, devemos completar 47 mil visitas, o que considero uma audiência interessante. De longe, a publicação mais visitada (com quase 7 mil acessos) foi o discurso do líder filipino na COP19, Yeb Saño, traduzido para o Português.

Sabemos como é pequena essa iniciativa, que está posta juntamente com nossa página do Facebook. Mas entendemos que é necessário que a ela se somem outras, para ecoar junto à sociedade a urgência da questão climática. Obrigado a todxs vocês que acessaram, compartilharam, comentaram.

Tirem essas mãos daí, agora!

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As corporações estão literalmente com o termostato do planeta em suas mãos. Uma publicação de autoria de Richard Heede, no respeitado jornal de nossa área Climatic Change, chega a conclusões assustadoras. Primeiro, que 63% das emissões acumuladas de CO2 e metano desde 1751 foram devidas a apenas 90 "entidades", incluindo empresas privadas e de capital misto, mas também diretamente por certos Estados nacionais, em uma divisão quase equitativa entre esses grupos, responsáveis, respectivamente, pela emissão de 315 GtCO2e (bilhões de toneladas de CO2 equivalente), 288 GtCO2e 3 312 GtCO2e. Segundo, que nada menos que metade dessas emissões se deu de 1986 para cá!

Para fugir de uma dupla roleta russa, um outro "Programa de Transição"?

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A roleta russa é um exemplo bastante claro de probabilidades. Uma bala em um cilindro com seis espaços nos dá uma chance em seis para um desfecho mortal (ou cinco chances em seis de sobrevivência). Algumas versões dão contas de que era um jogo cruel praticado pelo exército do czar russo (daí o nome) contra seus prisioneiros.

É inevitável, ao abordarmos a questão climática, que lancemos mão de uma abordagem probabilística do problema. Mas neste caso, queremos juntar a ela outro conceito, desenvolvido por um militante político revolucionário que, com bem mais certeza do que a "roleta", era russo (aliás, que combateu o czarismo na Rússia): Lev Davidovitch Bronstein, ou simplesmente Leon Trotsky.

"Trata-se de preservar o proletariado da decadência, da desmoralização e da ruína. Trata-se da vida e da morte da única classe criadora e progressista, e, por isso mesmo, do futuro da humanidade." Com esta frase, Trotsky defendia que era necessário travar imediatamente a luta…

Niños, Niñas, Meninos e Meninas. Que legado deixaremos?

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De Janeiro a Setembro, 2013 vai se posicionando como o 6º ano mais quente de todo o registro histórico, desde 1880. A temperatura global anda muito próximo da média da última década, disparadamente a mais quente de todo esse período de mais de um século.

Mas o mais importante às vezes não é destacado. Existe uma variabilidade natural no sistema climático e anos de La Niña (Pacífico Equatorial mais frio) costumavam ser mais frios que a média e anos de El Niño (Pacífico Equatorial mais quente) mais quentes que a média.

Discurso emocionante do líder da delegação filipina na COP19

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Este discurso é de leitura obrigatória. É para mexer com qualquer ser humano, em que haja um coração que pulsa e sangue em veias e artérias, ao invés de engrenagens que se movem e óleo em dutos. 

Como foi amplamente noticiado, as Filipinas foram varridas por uma tempestade monstruosa, possivelmente o ciclone tropical mais poderoso a atingir uma área habitada, pelo menos nos tempos modernos, o Supertufão Haiyan (também chamado de Yolanda). Enquanto escrevo, ainda se está longe de uma contabilidade oficial de mortos, mas há estimativas de que podem chegar a 10 mil pessoas, com a tempestade tendo atingido em cheio uma cidade (Tacloban, capital de província, com 200 mil habitantes). Além desta enorme quantidade de mortos, há feridos e desabrigados aos montes, sem contar os 800 mil evacuados.

O discurso, que está tendo repercussão na mídia internacional (em The Guardian, por exemplo) me emocionou profundamente, me levando literalmente às lágrimas diversas vezes. Para que tenhamos esperança, …

Mudanças Climáticas: É Possível Negar?

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Divulgamos hoje a palestra que proferi no início de Outubro/2013, na Câmara Municipal de Fortaleza.

A palestra, intitulada "Mudanças Climáticas: É Possível Negar?" já incorpora alguns dos resultados mais recentes divulgados pelo IPCC, em seu 5º Relatório. Ela se seguiu a uma apresentação feita pelo negacionista-mor brasileiro, Luís Carlos Molion, que algumas semanas antes havia desfilado toda a sua impostura intelectual...

Entrevista concedida ao Jornal "O Estado"

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Caso as emissões de GEE continuem crescendo às atuais taxas ao longo dos próximos anos, a temperatura do planeta poderá aumentar até 4,8 graus Celsius neste século. O alerta foi feito pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU), que divulgaram no dia 27 de setembro, em Estocolmo, na Suécia, a primeira parte de seu quinto relatório de avaliação (AR5). Com base na revisão de milhares de pesquisas realizadas nos últimos cinco anos, o documento apresenta as bases científicas da mudança climática global. E para falar sobre este assunto, o Estado Verde conversou com o físico cearense, Alexandre Costa, integrante do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC). Segundo o professor, a marca do aquecimento global e das mudanças climáticas, especialmente, na região Nordeste, é absolutamente clara. No entanto, por aqui, ainda chegamos ao absurdo de manter no Complexo do Pecém, uma termelétrica a carv…

"RCP2.6, o Paraíso Proibido" ou "O Parágrafo que os Governos da Arábia Saudita, China e Brasil quiseram retirar do relatório do IPCC"

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"Limitar o aquecimento causado pelas emissões antrópicas de CO2 com uma probabilidade de >33%, >50%, e  >66% a menos de 2°C desde o período 1861-1880, requererá que as emissões de CO2 de todas as fontes antrópicas permaneçam entre 0 e 1560 GtC (bilhões de toneladas de carbono), 0 e cerca de 1210 GtC e entre 0 e cerca de 1000 GtC desde esse período, respectivamente. Esses limites superiores se reduzem a cerca de 880 GtC, 840 GtC e 800 GtC respectivamente, quando se consideram todas as forçantes além do CO2 no RCP2.6. Um total de 531 [446 a 616] GtC já foram emitidas até 2011."

Este é o tal parágrafo mencionado no título. Alguns países (Arábia Saudita, Brasil e China) tentaram se opor a ele, mas os cientistas não cederam. Porém, mesmo compondo o "Sumário para Formuladores de Políticas" e portanto supostamente acessível à leitura por leigos, o mesmo pode ser obscuro a quem não for familiar com a ciência climática. Mas tentarei esclarecer o seu significado e p…

O Novo Relatório Climático do IPCC (do site realclimate.org, tradução: Alexandre Lacerda)

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Nosso blog traz uma publicação especialíssima! É a tradução, por meu amigo Alexandre Lacerda, desta publicação sobre o novo relatório do IPCC, cuja fonte é o excelente site realclimate.org, que conta com contribuições de cientistas de verdade como Gavin Schmidt, Michael Mann (a quem tenho o prazer de conhecer pessoalmente e que foi condecorado com a comenda Hans Oescheger pela European Geosciences Union (EGU), em Viena, em 2012) Raymond Bradley e outros. Espero que apreciem a leitura!

As Mentiras que os Negadores Contam - Parte 2

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Na publicação anterior neste blog, iniciei uma analogia entre uma crônica divertida de Luis Fernando Verissimo ("O Que Dizer"), publicada em "As Mentiras que os Homens Contam".

Uma das respostas da crônica à evidente e incômoda presença de um buraco é "São as obras do novo aeroporto, e não faça mais perguntas" e esta chega a, só que não no nível da anterior ("Que buraco?"), a negar o fato. Reconhece-se que existe algo, mas inventa-se que é outra coisa.

As Mentiras que os Negadores Contam. Parte 1 - "Que buraco?"

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Às vésperas do anúncio do 5º Relatório do IPCC, a negaciosfera andou bastante eriçada (e continua), na tentativa desesperada de continuar confundindo a opinião pública e minimizar possíveis impactos do referido relatório. Fizeram com que eu me lembrasse de "As Mentiras que os Homens Contam", uma coletânea de crônicas de Luis Fernando Verissimo (assim mesmo, com "s" e sem acentos), muito gostosa de se ler, por sinal. Vou tomar a liberdade de reproduzir um trecho - só o comecinho, juro, verdade! - de uma das crônicas dessa coletânea, que me lembrou demais o comportamento dos negadores (pois nela, a mentira aparece por diversas vezes na forma de negação). A crônica é entitulada "O Que Dizer" e começa assim:

Fulano, cara... para de fumar!

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Fulano não está se sentindo bem, com sintomas de cansaço, pressão alta, etc. Vai a um médico e este diz: "Você está com problemas respiratórios e cardíacos. Você fuma?" Ao receber a confirmação, o médico, ainda cauteloso, faz alguns exames e conclui: "Provavelmente a causa desses problemas é o cigarro, mas ainda são reversíveis. Basta que você pare de fumar."

Não satisfeito, Fulano procura outro médico, e outro, e mais outro. A ampla maioria dos médicos afirma a mesma coisa, isto é, que é "extremamente provável" (alguns dizem, é "praticamente certo") que o problema esteja ficando sério e que a maneira mais segura de se preservar para males ainda piores seria parar de fumar.

Relatório do PBMC aponta risco grave associado à mudança no Clima.

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Até 6 graus de aquecimento na Amazônia na estação de inverno. Possibilidade de 30% de redução na vazão do São Francisco. Aumento da intensidade e frequência das enchentes e deslizamentos, atingindo populações em áreas de risco. Impactos profundos em nosso País, recaindo sobre os mais pobres e vulneráveis são consequências prováveis ao longo do século XXI em cenários globais de elevadas emissões de gases de efeito estufa, segundo o 1º Relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. Escrevo este "post" durante o lançamento do mesmo na Conferência de Mudanças Climáticas, em São Paulo.

O Painel repete a estrutura do IPCC de 3 grupos de trabalho (GTs): um, que investiga as bases científicas da mudança no clima, outro que avalia vulnerabilidade, impactos e possibilidades de adaptação e um terceiro, que trabalha na construção de políticas de mitigação. O 1º Relatório foi escrito com a contribuição de centenas de cientistas brasileiros, dentre os quais me incluo, na condição …

Piscar de olhos, ou menos...

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Seguindo a metáfora da publicação anterior (5 minutos), fiz um levantamento de alguns paralelos entrea rapidez atual das mudanças climáticas e ambientais impostas pelas atividades humanas (com destaque, sempre, para a emissão de dióxido de carbono associada à queima de combustíveis fósseis) e outros momentos da história geológica terrestre na literatura científica. Espero que esse tipo de comparação, que aproxima a idéia abstrata de tempo geológico em tempo humano, possa contribuir minimamente para enxergarmos melhor a gravidade e a urgência de um novo rumo civilizatório, livre dos combustíveis fósseis.

5 minutos. Somente 5 minutos...

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Estamos quase às vésperas da divulgação da primeira parte do 5º Relatório do IPCC, provavelmente o mais extenso esforço coletivo já visto por parte de especialistas de qualquer ramo científico.

Antes dele, será divulgado o 1º Relatório do PBMC, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, inspirado no IPCC. Tenho orgulho de, voluntariamente, ter contribuído como autor na elaboração desse documento.

As conclusões de tais documentos são muito sérias. Na figura de linguagem colocada por Rajendra Pachauri, estamos a 5 minutos de uma meia-noite climática. Estamos muito provavelmente bastante próximos de pontos perigosos de não-retorno.

Mudanças Climáticas e Combustíveis Fósseis: um Alerta da Ciência do Clima

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Defender o Sistema Climático Terrestre implica em combater a Privatização do Petróleo

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A grande notícia global da semana passada foi que o limite de 400 ppm de CO2 atmosférico foi atingido, graças à incessante queima de carvão, petróleo e gás. É um momento adequado para lembrar que somente 1/5 das reservas fósseis pode ser extraída sem que ultrapassemos o já perigoso patamar de 450 ppm. Também para lembrar que já hoje e para além desse limite climático, extração e transporte de óleo em mares profundos, florestas, envolve riscos ambientais cada vez maiores. Desastre global e desastres locais se combinam e se misturam numa única agressão ao sistema terrestre.

Algo que deveria ser a grande manchete nacional, mas é convenientemente escondido pela mídia, é o retorno à cena da privatização do petróleo no Brasil. E em "grande estilo", com uma rodada de licitação gigantesca, sendo leiloados 289 blocos, que equivalem a 155,8 mil quilômetros quadrados de área distribuídos por 11 bacias (166 estão no mar, sendo 94 em águas profundas e 72 em águas rasas, enquanto os restan…

Trezentos, quatrocentos, quinhentos...

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9 de Maio de 2013: os instrumentos do observatório de MaunaLoa registraram, pela primeira vez desde que as medidas se iniciaram, uma média diária de concentração de dióxido de carbono (CO2) acima de 400partes por milhão (ppm). O valor foi excedido em apenas 3 centésimos de ppm (a média diária registrada foi 400,03), o que evidentemente, do ponto de vista físico, não faz nenhuma diferença, por exemplo, em relação a 399,99. Também é preciso dizer que, em virtude do ciclo anual da vegetação no Hemisfério Norte, é em Maio que as concentrações de CO2 atingem seu pico e certamente uma média anual de 400 ppm talvez ainda requeira 3 anos para se configurar. O valor do dia 09/05/2013 é suficiente, porém, para servir de marco simbólico.

Mudanças Climáticas Globais e Leilões do Petróleo no Brasil - Parte II: O que fazer?

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O Brasil veio se tornando progressivamente um grande produtor de petróleo, principalmente a partir da perfuração do piso oceânico em suas águas territoriais. No momento, a produção brasileira atingiu 2.583.000 barris por dia [1].
Inicialmente isto se deu através da Petrobrás, que é uma companhia de capital misto, na qual o Estado brasileiro como sócio majoritário, mas também com grande participação de investidores privados. No entanto, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a Petrobrás perdeu o monopólio da exploração em território brasileiro [2] e muitas companhias começaram suas operações, incluindo a Chevron, que já foi responsável por um vazamento de grandes proporções na Bacia de Campos próximo ao litoral do Rio de Janeiro.
Após interrompidos por 4 anos, os leilões do petróleo e gás no Brasil retornarão com força total em 2013. Em Maio, 117 blocos irã a leilão, incluindo, pela primeira vez no Brasil, gás de xisto. O leilão da camada do pré-sal, em regime de partilha, está …

Mudanças Climáticas Globais e Leilões do Petróleo no Brasil - Parte I: A quem interessam. A quem não.

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A Ciência do clima é muito clara: o sistema climático está realmente aquecendo, este aquecimento é causado pela acumulação de gases de vida estufa de vida longa, especialmente dióxido de carbono (seguido de metano, óxido nitroso e halocarbonetos) e a origem desse desequilíbrio químico atmosférico está nas atividades humanas, especialmente no uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural), como estabelecido nos relatórios de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (Intergovernmental Panel on Climate Change, IPCC), especialmente o AR4 [1].

Avanços na Ciência e na Política

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Olá a todas e todos. Estes dias têm sido agitados. Desde o final da semana anterior estou em Amsterdam (regresso amanhã a Fortaleza, cheio de saudade de Artur e Bárbara), com vistas a participar do Segundo Seminário de Ecologia do International Institute for Research and Education, vinculado à Quarta Internacional. Apresentei uma contribuição ao evento, acerca da gravidade da questão climática e da necessidade de combater os leilões do petróleo no Brasil. Essa contribuição está disponível a todas e todos pelo site do IIRE. Em breve, apresentarei uma versão do meu texto, traduzida para o Português, aqui no blog.

Agora pela manhã, recebi uma série de emails, dando conta do aceite de 6 trabalhos que meu grupo de pesquisa submeteu ao evento da European Geosciences Union (EGU), a ser realizado em Viena, no início de Abril. Além de uma apresentação oral, que farei, espero contar com a presença de dois outros integrantes do grupo, a fim de garantir que os cinco painéis sejam expostos e apres…

Pondo pingos de lava nos "is": vulcões e clima

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Alertado que fui para esta publicação desprovida de um mínimo de seriedade, resolvi avançar em algo que estava preparando, que é um conjunto de breves artigos sobre as forçantes naturais, principalmente o vulcanismo e a variabilidade solar. Isto se dá principalmente porque o referido texto, cumprindo o ritual de praxe dos negadores, distorce completamente as informações das fontes originais. Obviamente, é necessário reposicionar as questões à luz do que a ciência estabelece, sendo fidedigno às informações não apenas da Ciência do Clima, mas também da Vulcanologia e da Física Solar.

A matéria da Universidade do Colorado (Colorado University, CU) à qual o "artigo" negacionista nos leva, cumpre o papel tipicamente ruim da imprensa das universidades, que é amplificar as conclusões de determinado estudo de pesquisadores da instituição, algo que mostra o divertidíssimo site "PhD Comics", como ilustrado ao lado. O problema com os pequenos exageros dos serviços de divulgaçã…

''A concentração de CO2 hoje está beirando 400 partes por milhão.'' Entrevista concedida ao IHU

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Concedi entrevista ao site do Instituto Humanitas Usininos (IHU), que reproduzo a seguir. O mesmo Instituto, cujas posições são, em geral, muito boas, havia, lamentavelmente, oferecido um generoso espaço ao mais estridente negacionista brasileiro, Luís Carlos Molion.

"Ciência é algo verificável, baseado em evidências e cumulativo. Mesmo tendo titulação acadêmica, não se pode afirmar qualquer coisa, desconectando-se da realidade", considera o pesquisador. "Este ano será divulgado o quinto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas  IPCC e, apesar do conservadorismo da comunidade científica, as evidências são tão gritantes que, sem dúvida, algumas das afirmações do relatório referentes ao aquecimento global e ao papel antrópico vão ser mais fortes ainda que do quarto", informa Alexandre Araújo Costa, professor titular da Universidade Estadual do Ceará, em entrevista concedida, por telefone, à IHU On-Line.
Segundo ele, "o IPCC deixa muito claro …

SBPC: como o Clima Global e o Balanço de Carbono desapareceram entre o Código Florestal e Pré-Sal

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O Brasil, segundo dados do próprio governo, detém 516 milhões de hectares de florestas. É uma área bastante generosa, bem maior do que os 24,2 milhões de hectares, segundo a Empraba, que temos de soja plantada em nosso território (na verdade, 21,3 vezes maior, para ser exato). A produtividade da soja, segundo a Embrapa, no mesmo site, é 3106 kg/ha (quilogramas por hectare) e a cotação da soja, segundo o insuspeito site "Notícias Agrícolas", gira em torno de R$ 1000,00 por tonelada, ou seja uma relação de um para um entre real e quilograma.
Uma conta que pode ser feita (e deve, para assustar) é: extrapolando esses valores, admitindo que toda a área de floresta no Brasil fosse substituída por plantação de soja, quais as cifras (ou melhor, cifrões) a que chegaríamos? Vamos lá... Multiplicando R$ 3106,00/ha por 516 milhões de hectares, e usando a cotação de U$ 1 = R$ 1,97 chegamos à marca de U$ 814 bilhões, o equivalente a mais de um terço do PIB brasileiro, de U$ 2,3 trilhões. A…

Forçando o clima: ratinhos vulcânicos e pulgas atômicas.

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A figura ao lado é uma das mais importantes do 4º relatório do IPCC. Ela mostra a melhor estimativa (com as incertezas) da contribuição de cada agente climático, incluindo efeitos de aquecimento e de resfriamento. Para compreendermos o gráfico, introduziremos o conceito de “forçante radiativa”.
O que é "forçante radiativa" (FR)? Nada mais é do que a quantidade de energia por unidade de tempo por unidade de área que é acrescentada ou retirada do sistema climático, em relação a um estado de referência. É medida em "Watts por metro quadrado", ou simplesmente 1 W/m2 (ou 1 Joule, que é a unidade de energia, por metro quadrado, por segundo). Qualquer agente que influencie o sistema climático no sentido de aquecê-lo produz uma forçante radiativa positiva. Outro agente, que atue no sentido de resfriá-lo, introduz uma forçante radiativa negativa. Esse excedente (caso positivo) ou déficit (caso negativo) de energia é, geralmente, estimado na “tropopausa”, isto é, na frontei…

Não existe pecado do lado de baixo do equador. Em compensação, calor...

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Janeiro de 2013 não trouxe grandes surpresas em relação ao que se esperava. Na média global, aparece como o 9º mais quente do registro histórico, fazendo dele o 336º mês consecutivo com temperaturas acima da média.

Na última vez em que a média global de temperatura ficou abaixo da média, Mikhail Gorbachev havia acabado de assumir o cargo de Secretário-Geral do PCUS (o Partido Comunista da União Soviética). Nelson Mandela estava na cadeia e a África do Sul havia acabado de liberar os "casamentos interraciais" (sim... nos remete à luta dos homossexuais pelo casamento igualitário nos dias de hoje). Tancredo Neves havia sido escolhido presidente do Brasil por meio de eleições indiretas num Colégio Eleitoral.

Faltavam ainda quatro anos para a queda do Muro de Berlim e para a realização de eleições presidenciais no Brasil pela primeira vez desde o golpe militar de 1964. Nessas eleições, se deu o lançamento da primeira candidatura à presidência por parte de Luís Inácio Lula da Sil…

Ex-Carnaval! Quanta indecência!

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Há bastante tempo, o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro descolou-se por completo das tradições de uma festa popular, para se tornar um grande negócio. Há mais de 30 anos, o Império Serrano já falava das "Super-Escolas de Samba S/A" em seu histórico enredo "Bum-bum-praticumbum-prugurundum". Mas acredito que nem o mais crítico dentre os que conceberam o enredo do Império naquele ano imaginava o que estaria por vir...

Tergiversando Nemo: Uma grande nevasca nega o aquecimento global?

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Sabe aquelas coisas que você diz para si mesmo que não irá fazer mas muda de idéia em função da realidade? Pois é... Este é o caso da mega-nevasca que está atingindo os EUA e o Canadá e que está sendo chamada de "Nemo" (em que se forçou um pouco a barra, no sentido de dar nome a uma tempestade de inverno, como se faz com os furacões, tufões e demais tempestades tropicais).
O ponto é que, por mais ridículo que possa parecer, já que isto foi refutado dúzias de vezes, a negaçosfera (porção da blogosfera, tuitosfera e facebookesfera "animada" pelos negadores das mudanças climáticas) voltou a usar a ocorrência de uma grande nevasca como um pretenso argumento que supostamente contesta o aquecimento global.

Clima: aos poucos, deixando de ser tema abstrato?

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Pelo visto, aos poucos, a discussão sobre o clima vai ganhando espaço na sociedade. Infelizmente ainda é muito aquém do necessário no que diz respeito a alertar e mobilizar a opinião pública, mas sugere que, ao contrário dos que possam achar que se trata de temática muito abstrata, as mudanças climáticas aparentemente vão se tornando um tema cada vez mais palpável.

Rumo a 4 graus? Estão rindo de quê?

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Neste post, quero chamar a atenção, dentre outros pontos, para um artigo de autoria de Richard Betts e colaboradores, recentemente publicado no Philosophical Transactions of the Royal Society, cujo título é "When could global warming reach 4°C?"

Apesar de, especialmente acima de 3 graus de aquecimento, as incertezas nos impactos crescerem, sabe-se que um planeta 4 graus acima da era pré-industrial (mais de 3 graus mais quente do que o presente) é virtualmente irreconhecível. O primeiro ponto diz respeito a tempestades mais intensas. Uma atmosfera mais quente permite a presença de uma maior quantidade de vapor d'água, o que tem o efeito, como discutimos em outro momento, de amplificar a intensidade de tempestades, furacões e outros fenômenos extremos. O segundo se remete às geleiras. Como se sabe as projeções de degelo tem sido profundamente conservadoras, subestimando o que de fato tem acontecido (como já mostramos, o recorde de degelo no Ártico em 2012 aconteceu com mais…

Petróleo e Institutos de Pesquisa: Ciência para quê? Ciência para Quem?

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Um movimento bastante interessante tem começado a ganhar corpo dentro de algumas universidades dos EUA, incluindo a hiper-prestigiada Harvard. A reivindicação fundamental é a de que a Universidade rejeite recursos da indústria de combustíveis fósseis.  Em um artigo anterior, discuti o papel que alguns movimentos sociais poderiam cumprir, mas de certa forma ficou uma lacuna em relação ao movimento de estudantes (e também a uma possível intervenção política da comunidade acadêmica como um todo).

É pior, sim! Por que os cientistas preferem "errar para menos"?

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Número recente do periódico Global Environmental Change publicou artigo de autoria de K. Brysse e co-autores [1] que chama atenção para algo para o quê já havia alertado anteriormente: a tendência, não apenas em vários estudos científicos, mas principalmente no discurso dos cientistas do clima, em subestimar o ritmo e/ou as possíveis consequências do aquecimento global antrópico.
Os autores desse artigo, cujo resumo é disponível publicamente, compõem um coletivo interdisciplinar, com um importante olhar das Ciências Humanas sobre o próprio comportamento dos cientistas. Suas conclusões avançam claramente no sentido oposto ao das acusações dos negadores das mudanças climáticas ou autoproclamados "céticos do aquecimento global". Ao invés de concluir que somos "alarmistas", "catastrofistas" ou coisa do gênero, o artigo mostra claramente - e explora as razões disso - que há um viés junto aos cientistas do clima para o lado oposto. Colocando de forma simples: …

Mais uma vez, o Ártico!

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Artigo recentemente publicado no Geophysical Research Letters (GRL) reporta um estudo bastante interessante, que quantifica um mecanismo de amplificação do aquecimento do Ártico. O artigo, de autoria de M. Nicolaus e colaboradores é intitulado "Changes in Arctic sea ice result in increasing light transmittance and absorption" (Mudanças no gelo marinho do Ártico resultam em aumento da transmitância e absorção de luz) e baseado em observações utilizando um veículo submarino operado remotamente e chega a conclusões importantes.

O "leitor" e os "cientistas"

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Como os leitores possivelmente sabem, enviei carta à diretoria da SBPC, em que critiquei o posicionamento da Sociedade sobre os recursos advindos do pré-sal. É lamentável que, tendo a mesma sido enviada para o email pessoal de cada um dos diretores, nenhuma resposta tenha surgido.
Por outro lado, o Jornal da Ciência, veículo da Sociedade, publicou meu questionamento. Aqui, porém, deixo momentaneamente de lado a questão de mérito científico sobre a discussão do impacto climático da exploração do petróleo do pré-sal para falar do discurso.
A publicação no Jornal da Ciência estampa a manchete "Leitor questiona posicionamento de cientistas sobre os royalties do pré-sal", que, no meu entender, passa, subliminarmente, a idéia de se tratar de um questionamento de um leigo em relação à opinião de especialistas abalizados para falar do assunto (os royalties do pré-sal).

É o CO2, Dilma!

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"Nosso parque térmico, que utiliza gás, diesel, carvão e biomassa foi concebido com a capacidade de compensar os períodos de nível baixo de água nos reservatórios das hidrelétricas. Praticamente todos os anos as térmicas são acionadas, com menor ou maior exigência, e garantem, com tranquilidade, o suprimento. Isso é usual, normal, seguro e correto. Não há maiores riscos ou inquietações." (ROUSSEFF, D., 2013, em pronunciamento público)
Errado, presidenta! Utilizar combustíveis fósseis não pode ser considerado "normal", "seguro", nem "correto". Cada molécula extra de CO2 adicionada à atmosfera, elevando a já insegura concentração de 394 ppm amplia o "risco" climático e deveria, da parte de qualquer governante sensato deste mundo, despertar "inquietação".

A que preço? Carta à SBPC.

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Se há algo que me incomoda profundamente é ver, no meio acadêmico, uma nada contida empolgação (bastante ingênua, na maioria das vezes) com a possibilidade de exploração do pré-sal. É mais incômodo, porém, que a principal sociedade representante dos pesquisadores de nosso País, posicione-se desta forma, ignorando o conhecimento científico atual sobre o ciclo de carbono terrestre, a influência humana sobre ele via queima de combustíveis fósseis e as consequências sobre o sistema climático. Tomei, assim, a iniciativa de me dirigir diretamente a cada uma das diretoras e cada um dos diretores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, nos termos que seguem.

Austrália: Imagens dos Portões do Inferno

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Nos últimos dias, uma onda de calor recorde se abateu sobre a Austrália, como já documentamos. Dia 07 de Janeiro, a média das temperaturas máximas em território australiano (cujas dimensões são continentais) bateu recorde, chegando a impressionantes 40,33°C. Quatro dos dez dias mais quentes do registro histórico australiano ocorreram este ano e durante sete dias consecutivos (também um recorde), a média das temperaturas máximas ficou acima dos 39°C. As informações são do Australian Bureau of Meteorology.

Presidentes

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"Nós temos de responder à ameaça da mudança climática, sabendo que se recusar a fazê-lo seria trair nossas crianças e as futuras gerações". "Pode ser que alguns ainda neguem o posicionamento contundente da ciência, mas ninguém pode fugir dos impactos devastadores de incêndios furiosos, secas debilitantes e tempestades mais poderosas".  Essas palavras não são de James Hansen, ou Michael Mann. Tampouco de Bill McBibben, fundador da 350.org, ou de um dirigente do Greenpeace ou do WWF. São de Barack Obama, no discurso de posse para seu segundo mandato.
O vergonhoso silêncio que perdurou por quase toda a campanha presidencial foi quebrado primeiro pelo furacão Sandy, que matou 253 pessoas (131 nos EUA) e acumulou prejuízos de mais de 65 bilhões de dólares. Depois, o próprio Obama teve de retirar a cabeça da areia e, já no discurso da celebração da vitória, render-se ao óbvio.

Mudança Climática: no que a Arte pode Ajudar?

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Recentemente publiquei uma postagem com cartoons excelentes, em que a negação da mudança climática é ironizada de maneira ácida por Tom Toles. Evidentemente como uma matéria prima muito comum aos cartunistas é a crítica, chega até a ser decepcionante que haja menos deles explorando o tema.
Mas há um sem número de outras manifestações artísticas que, em um momento ou outro, se mostraram profícuas em demarcar posições críticas, difundir idéias e valores e chamar a atenção da opinião pública para determinadas questões. Isto tem acontecido com as mudanças climáticas e gostaria de compartilhar alguns exemplos bastante interessantes de como a arte pode ser nossa aliada em sensibilizar o grande público. 

Ética Geracional e "Happy Hour", Direitos Humanos e Movimentos Sociais

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Imagine a seguinte situação, caro leitor: dois amigos seus, ou amigas, deixam o local de trabalho naquilo que é conhecido como "happy hour" e se dirigem a uma churrascaria. Assim como você, várias outras pessoas acertam que se encontrarão por lá, mas que não irão imediatamente. As duas pessoas que chegaram primeiro ao lugar combinado, desde o princípio se põem a consumir. Carne, petiscos diversos, chopp, cerveja, uísque... Você é o quinto a chegar (um casal já havia se somado às duas primeiras pessoas) e percebe que, logo após sua chegada, um dos que ocupavam a mesa simplesmente desapareceu. Pouco depois, tempo suficiente para chegarem outras três pessoas, você se dá conta de que o segundo ocupante original da mesa também saiu de fininho. Eis que, passados mais alguns minutos, o casal chama o garçon e deixa com ele um determinado valor em dinheiro. Você olha de esguelha e percebe que o valor deixado é claramente inferior ao consumo, mas, constrangido, não se manifesta. Pouco…

Nos "top ten"! 2012 desafia La Niña e entra para a lista dos mais quentes!

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Um ano que começou com um evento de La Niña, no Pacífico, como 2012, deveria ter sido marcado por temperaturas relativamente mais baixas. Foi o que aconteceu, como se pode perceber na Figura ao lado, no início do ano. No entanto, o que se pode perceber é que, com o enfraquecimento e desaparecimento desse fenômeno, as temperaturas globais rapidamente subiram, e 2012 se aproximou dos anos mais quentes do registro histórico.
2012 encerrou como o décimo mais quente desse registro, iniciado em 1880, 0,57°C acima da média histórica. É o 36º ano consecutivo em que as temperaturas globais ficaram mais quentes do que essa média (de 1977 para cá). Se você tem 36 anos de idade ou menos, portanto, você não teve oportunidade de viver um ano sequer de sua vida em que as temperaturas globais estivessem abaixo do "normal".

Paleoclima II - Os detetives do clima e as pistas do passado

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Os estudos de Paleoclimatologia são incríveis trabalhos de detetive. Voltando de certo modo à analogia criminalista que usei no texto anterior sobre Paleoclima, é uma busca de identificar o equivalente a pegadas, impressões digitais, fios de cabelo e outras evidências deixadas para traz pelo clima do passado. Essas evidências são gravadas na forma de  uma série de parâmetros físicos e químicos em sistemas diversos, como veremos em seguida. 
A datação desses processos, isto é, determinar há quanto tempo atrás eles ocorreram é uma questão à parte, mas assim como os próprios marcadores paleoclimáticos, envolve, não raro, os chamados isótopos, isto é, átomos de um mesmo elemento químico com massas diferentes, sejam eles estáveis ou instáveis (radioativos). No nosso caso, são particularmente importantes os isótopos do Hidrogênio (o elemento mais simples, que só possui um próton): 1H (o hidrogênio "comum"), 2H (ou Deutério, simbolizado por D, o primo pesado) e 3H (ou Trício. que é …