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Mostrando postagens de 2014

Eólicas: para quem, para quê, como?

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Há poucos dias, uma pessoa muito querida, minha "filhota acadêmica" Juliana Oliveira, publicou a foto ao lado, que acredito tenha sido tirada lá pelo litoral de Trairi, que tem as belas praias de Mundaú, Flecheiras, Guajiru... Juliana trabalhou comigo no seu mestrado, avaliando precisamente a possível influência da variabilidade climática interanual sobre a geração eólica. Concluiu que relações bem conhecidas entre o estado dos oceanos tropicais e a chuva sobre o norte do Nordeste (que se concentra em poucos meses do primeiro semestre) também aparecem em relação aos ventos. Anos com El Niño no Pacífico e/ou "dipolo positivo" no Atlântico (a grosso modo, quente ao norte e frio ao sul), geralmente secos, tendiam produzir ventos mais intensos no primeiro semestre, acontecendo o contrário em anos com La Niña e/ou "dipolo negativo" (quem tiver curiosidade, o trabalho está acessível neste link). A expectativa de trabalhos como esse, claro, era o de subsidiar a…

Publicado pelo OPOVO: "Não basta banho curto, nem reza para São Pedro"

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Nesta terça-feira, 09 de dezembro, o jornal OPOVO publicou um artigo enviado para lá de minha autoria, que republico aqui em meu blog.

Para entender melhor o contexto, recomendo a leitura de duas outras publicações do mesmo veículo de comunicação: a primeira, artigo assinado pelo vereador de Fortaleza Acrísio Sena; a segunda, matéria do próprio jornal, em que Camilo Santana, governador eleito do estado do Ceará, declara seu apoio (e, portanto, provável continuidade) à política de recursos hídricos de seu antecessor, Cid Gomes, perdendo-se, porém, no populismo, ao revelar rezar diariamente para São Pedro para que caiam chuvas sobre o estado.

Segue o artigo:
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Quinze 2.0: Reservatórios cearenses continuam a secar

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Com raras exceções (como foi o caso de 2004, em que um sistema de vórtice permaneceu praticamente estacionário sobre o estado por vários dias), a maior parte dos reservatórios do Ceará não costuma acumular quantidades significativas de água durante o período da chamada pré-estação (dezembro e janeiro). Em determinadas circunstâncias, somente em plena estação chuvosa é que a tendência ao declínio (por consumo, evaporação e outras perdas) se reverte e, em alguns casos de anos secos, mesmo no período mais chuvoso (março e abril, quando predomina a influência da Zona de Convergência Intertropical), isso sequer acontece, havendo apenas uma estabilização do volume armazenado ou uma desaceleração do ritmo de perdas.

Acordo bilateral EUA-China: Porque é preciso ir (muito) mais fundo/

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Concedi ao Instituto Humanitas Usininos a seguinte entrevista, em que expresso meu ponto de vista sobre os limites e problemas do acordo climático que EUA e China celebraram.

Não acho que tal acordo seja suficiente para resolver a crise climática. Longe disso.

Também não acho que ele signifique o início de uma ampla tomada de consciência pelos governos mundiais. Antes me parece uma tentativa dos dois maiores emissores de garantir seu protagonismo, numa "solução controlada" para a crise, em que geopolítica e economia globais permaneçam sob controle, mas que de modo algum é suficiente para evitar que o sistema climático saia de controle.

Mas ao mesmo tempo não creio que ele seja algo a se desprezar. Ao ensaiar medidas que fogem à regra do "business-as-usual" (vulgarmente conhecido como "tô nem aí"), esse acordo pode abrir o flanco para que a pressão conjunta do movimento ambientalista, de povos originários e comunidades tradicionais, de países insulares e …

Brasil Seco: o que a Superinteressante não mostrou. Parte II - A Entrevista de Deborah Danowski

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A reportagem "O Brasil Secou" publicada pela Revista Superinteressante foi construída, em boa parte, com a contribuição de pesquisadores através de entrevistas. Estas constituem um material riquíssimo, do qual as menções na reportagem são apenas uma fração muito pequena. Como já publiquei a íntegra de minha entrevista, passo a palavra agora para a pesquisadora e filósofa Deborah Danowski, professora do Departamento de Filosofia da PUC-RJ e que publicou, recentemente, ao lado de seu companheiro Eduardo Viveiros de Castro, o livro "Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins". Uma das organizadoras do simpósio "Os Mil Nomes de Gaia", Deborah tem sido uma crítica profunda do modo de vida engendrado pelo capitalismo contemporâneo e confrontado sem meio-termo o negacionismo climático. Vejam o que ela diz sobre crise ecológica, mudanças climáticas e "fim do mundo"!

Corporações petroquímicas versus Países. Quem manda em quem?

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A Forbes atualizou a lista das maiores companhias. E nenhuma surpresa. Das 11 maiores em faturamento, 7 são do ramo petroquímico (Shell, Sinopec, Exxon, BP, Petrochina, Total e Chevron), 2 do ramo automobilístico (Volkswagen e Toyta), uma do comércio (Wal-Mart) e uma de mineração (Glencore). Das 6 maiores, 5 são petroquímicas.

As petroquímicas, ramo predominante nessa lista, são um caso a parte, pois está claro e evidente o quão destrutivo, danoso, nocivo, deletério é o nseu egócio. Explorar petróleo, com vazamentos e outros acidentes devastadores e, principalmente, com a desestabilização do sistema climático terrestre é algo que já deveria fazer parte do passado da humanidade.

Brasil Seco: o que a Superinteressante mostrou... e o que ela não mostrou.

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Na edição da Super Interessante do mês anterior fomos citados Antônio Donato Nobre, Déborah Danowski, Eduardo Viveiros de Castro e eu, numa boa matéria, da jornalista Camila Almeida, intitulada "O Brasil Secou". Não sei como foi com os demais, mas em meu caso, a frase curta a mim atribuída foi, na verdade, extraída de um diálogo bem mais longo.

Como tento fazer na maioria dos casos, ainda que isso me renda um bocado de trabalho, preferi responder por escrito. Os jornalistas, mesmo os mais competentes, de mais boa fé e compromisso com a boa informação, vivem sob forte pressão produtivista e, claro, não se pode exigir deles pleno domínio da temática do clima. A resposta escrita reduz as dificuldades impostas por essas barreiras e, via de regra, garante um repasse mais fidedigno de informação. Fica, portanto, o convite para acessar o link acima e ver o que a Super mostrou, bem como a ler a entrevista completa abaixo e ver o que ela não mostrou.

Por uma Revolução Energética

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Às vésperas da vigésima edição da Conference of the Parties, a COP-20, em Lima, tenho discutido prioritariamente, em nosso blog, sobre a crise hídrica, uma expressão bastante significativa da combinação de mudanças climáticas globais, alterações ambientais locais e regionais (como o desmatamento amazônico) e políticas hídricas voltadas para o atendimento dos interesses mais imediatos de grandes corporações capitalistas (não somente a privatização da água, mas o seu fornecimento - geralmente subsidiado - ao agronegócio, à grande indústria, usinas termelétricas, mineração etc.). Mas isso não significa que tenhamos esquecido outros gargalos fundamentais, particularmente o vínculo entre energia e clima A questão energética também tem se agravado, globalmente e no Brasil, e nesta publicação me proponho a analisar alguns aspectos dessa relação, bem como apresentar elementos da "revolução energética" que considero urgente e necessária.

Nossas vidas valem mais do que os seus lucros!

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(Declaração da Rede Internacional Ecossocialista frente a COP20 em Lima, Peru, Dezembro de 2014)
" A crise climática iminente que enfrentamos hoje é uma grave ameaça para a preservação da vida no planeta. Muitos estudos acadêmicos e declarações políticas confirmam a fragilidade da vida na Terra em função da mudança de temperatura. Apenas alguns graus podem causar - e estão a causar - uma catástrofe ecológica de consequências incalculáveis. Agora mesmo estamos experimentando os efeitos mortais desta situação. O derretimento do gelo, a contaminação da atmosfera, o aumento do níveis do mar, a desertificação e aumento da intensidade dos fenômenos meteorológicos são a prova.

Pena Branca e a Velha a Fiar

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"O gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar"

A "Velha a Fiar" é uma canção popular, que inspirou um curta-metragem brasileiro de 1964 com direção de Humberto Mauro, tendo como trilha a canção, interpretada pelo Trio Irakitan.

Começando por uma interação simples, entre a velha senhora e uma mosca, que lhe tira o sossego, a música segue - de certa forma até irritante - concatenando outros elementos: a aranha, que importuna a mosca; o rato, que incomoda a aranha etc.

O Quinze 2.0? Ataque da Hidra Ilógica sobre o Ceará

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"(...) E se não fosse uma raiz de mucunã arrancada aqui e além, ou alguma batata-branca que a seca ensina a comer, teriam ficado todos pelo caminho, nessas estradas de barro ruivo, semeado de pedras, por onde eles trotavam trôpegos se arrastando e gemendo (...)" (Rachel de Queiroz, em "O Quinze")
Há pouco menos de um mês, a mídia começou a dar repercussão a algumas denúncias que estamos fazendo há muito tempo, sobre o escândalo da política de recursos hídricos no estado do Ceará, que chegou, nas eleições deste ano, incluindo o seu segundo turno, a ser citada como "modelo" em contraponto ao que todos e todas sabemos se tratar de um descalabro completo que é a gestão de Geraldo Alckmin em São Paulo. Nesse contexto, se insere uma matéria da Tribuna do Ceará, na qual sou mencionado, mas em que é dado muito mais destaque a réplicas nada verdadeiras por parte dos dirigentes da COGERH (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos). Sinto-me na obrigação de contestar…

Eduardo Viveiros contra o Negacionismo e o "Indiferentismo", em Defesa da Ciência do Clima

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Não adianta torcer o nariz. Mesmo se você não concorda com suas teorias e posições político-ideológicas, eu sei que você admite que ele é um dos grandes pensadores brasileiros do presente. Falo de Eduardo Viveiros de Castro, ao mesmo tempo antropólogo de contribuição absolutamente original e ativista das causas indígenas, ambientais e libertárias e que fez um movimento interessante nos últimos anos: o de estabelecer um forte diálogo fora do ambiente acadêmico, usando especialmente as redes sociais. Nas palavras de ninguém menos do que Claude Lévi-Strauss, Eduardo é "fundador de uma nova escola na antropologia" e o tom de sua crítica sistêmica é evidente ao afirmar peremptoriamente que “a escravidão venceu no Brasil; nunca foi abolida” e que “o capitalismo sustentável é uma contradição em seus termos”. Com as temáticas indígena e climática se tornando cada vez mais uma coisa só e ambos habitando o ambiente virtual (eu mesmo já havia iniciado uma incursão via tweeter, antes me…

A Hidra Ilógica, bicho de 7 cabeças

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A hidra é a famigerada criatura mitológica de muitas cabeças. Eram sete cabeças que podiam se regenerar, rezando a lenda que a hidra, de tão venenosa, era capaz de matar quem dela se aproximasse apenas pelo hálito. A luta contra um ser terrível como esse, pronto a atacar por vários flancos, certamente não deveria ser fácil. E é por isso que a escolhi, para além da semelhança fonética, para representação da crise hídrica que assola não apenas o Brasil, mas várias partes do mundo. Neste texto, analisaremos como todas as cabeças da Hidra Ilógica convergem em um único fim: o risco de crises de abastecimento em nossas cidades é hoje muito maior, por uma conjunção de fatores climáticos, ambientais, sócio-econômicos e políticos.

Tacloban, um ano depois

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Há um ano atrás, ventos de mais de 300 km/h, as chuvas torrenciais e uma brutal "onda (ou maré) de tempestade" de 4 metros (quantidade enorme de água arrastada pelos ventos de grandes tormentas para dentro do continente) punha abaixo uma cidade de mais de 200 mil habitantes, capital de uma das províncias das Filipinas: Leyte, na ilha de mesmo nome. Foram 6201 mortos na tragédia.

O governo local ficou desestruturado e incapaz de agir, sem local de funcionamento, em meio a uma cidade sem energia elétrica, sem comunicações, sem serviço de água ou esgoto e com cadáveres espalhados por toda parte. Após um sobrevoo, um militar dos EUA descreveu, em choque: "não consigo encontrar uma única estrutura da cidade, um único prédio, uma única casa, que não tenha sido, quando não completamente destruída, pelo menos severamente danificada".

Viagem ao Mundo de 400 ppm

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Os dados de Mauna Loa (disponíveis no site do Scripps e no site da NOAA) estão a cada dia com "cara mais feia". A medida diária recorde ainda é de 01/05/2014: 403,1 partes por milhão (ppm), mas tem tudo para ser batido. Também deve ser superada a média mensal de Abril (401,3 ppm), já que a média mensal de CO2 neste mês de Maio será, com certeza, novo recorde, provavelmente acima de 402,5 ppm. É quase certo também que, este ano, teremos 3 meses com concentração de CO2 acima de 400 ppm, pois o mês de Junho deve fechar com algo em torno de 401,5 ppm (em Abril, já tivemos média de 401,3 ppm).

Em Julho, seguindo o ciclo anual, essa concentração deve descer abaixo de 400 ppm, para fechar, ao fim de 2014, numa média anual recorde próximo a 399 ppm (ou até acima!). 2015, assim, deverá ser o primeiro ano para o qual a média deverá superar 400 ppm.

Não à rendição! Nem geoengenharia, nem nuclear, nem transgênicos!

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Cercados de todos os lados, mesmo pessoas valorosas da Ciência têm feito concessões inadmissíveis a falsas alternativas, seja para combater a mudança climática, seja para diminuir os seus impactos.

Energia Nuclear? Não, obrigado!

Recentemente, James Hansen, cientista líder nas pesquisas sobre mudança no clima e ativista climático que inspirou a frase que dá nome a este blog fez, lamentavelmente, uma movimentação de defesa da "energia nuclear segura", como via para salvar o clima global da desestabilização que inevitavelmente emergerá como resultado da continuidade da queima de combustíveis fósseis como principal fonte energética. Com isso, ele se une a outras vozes proeminentes, como James Lovelock que, partindo da premissa correta de que "a mudança climática é o maior perigo que a humanidade já vivenciou", conclui erroneamente que ela "tem de usar a energia nuclear", na sua opinião a "única fonte de energia segura disponível". Ora, ainda que a …

Pulgas "marxistas" ou Pé de Dragão Verde?

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Por conta de uma polêmica no início de minha militância (na qual estava errado, diga-se de passagens), guardo até hoje a lembrança de uma citação de Lênin citando Marx, em que ele dizia: "Compreendamos também nós as tarefas e peculiaridades da nova época. Não imitemos aqueles marxistas de meia-tigela dos quais Marx dizia: 'semeei dragões mas a colheita deu-me pulgas.'" (em seu famoso texto, "As Tarefas do Proletariado na Nossa Revolução", de Abril de 1917, Lênin faz menção, aí, à "A Ideologia Alemã").

Do que conheço da abordagem devida da obra de Marx e de outros pensadores e pensadoras da transformação social e da revolução, a perspectiva é (ou deveria ser) sempre a de abordagem crítica, viva, atual. Como na Física, em que se superou a Mecânica Newtoniana por uma teoria mais ampla (que não a invalida, mas a generaliza) e a Relatividade de Einstein veio apoiada em novas informações de realidade (o Eletromagnetismo de Maxwell, o experimento de Mich…

IPCC reconhece desigualdade como chave para o risco climático. Mas é preciso ir muito além.

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No ano passado, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (o IPCC, da sigla em inglês) deu início à divulgação do seu 5º Relatório de Avaliação (ou AR5), começando pelo trabalho do “Grupo I”, que trata das bases físicas da mudança no clima. Esta semana, essa divulgação teve continuidade, com a publicação do Sumário dos trabalhos do “Grupo II”, que lida com “impactos, adaptação e vulnerabilidade”. 

É comum a esquerda negligenciar esta temática. Mas isso é um grave erro. Entendemos que é central buscar respostas à questão da crise ecológica em geral (e da crise climática em particular); é crucial para os pobres, os trabalhadores do campo e da cidade, os indígenas, enfim, para os oprimidos e explorados no século XXI. Afinal, a luta por evitar um desfecho catastrófico para essa crise engendrada pelo capitalismo é a luta para salvaguardar as condições materiais para sobrevivência, com dignidade, do gênero humano.

Impactos das Mudanças Climáticas: entra em cena o WG-II do IPCC

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Para os que ainda não são familiares com a estrutura e funcionamento do Painel Intergovernamental sobe Mudanças Climáticas, o IPCC, lembro que ele inclui três grupos, que lidam respectivamente com as "Bases Físicas da Mudança Climática" (o WG-I, ou 1º grupo), "Impactos, Vulnerabilidade e Adaptação" (o WG-II, ou 2º grupo) e com Mitigação, ou seja, soluções para reduzir as emissões e diminuir o peso dos impactos sobre a sociedade (o WG-III, ou 3º grupo). Esta noite passada (em horário brasileiro), foi divulgado, no Japão, o texto final do "sumário para formuladores de políticas" do WG-II (ou "2º grupo de trabalho") do Painel.

De 400 ppm a Amarildo

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9 de Maio de 2013: os instrumentos do observatório de Mauna Loa registraram, pela primeira vez desde que as medidas se iniciaram, uma média diária de concentração de dióxido de carbono (CO2) acima de 400 partes por milhão (ppm). 

14 de julho de 2013: Amarildo Dias de Sousa, brasileiro, ajudante de pedreiro, casado com Elizabeth Gomes da Silva, pai de seis filhos, desaparece, após ser detido pela PM na Favela da Rocinha. 

Como dois fatos tão distintos e aparentemente desconexos na verdade se articulam?


Clima não rima com lucro: da Especulação Financeira à Especulação com o Sistema Terra.

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O negacionismo climático tem em comum com a lógica do mercado financeiro muito mais do que simplesmente a defesa da continuidade dos combustíveis fósseis ou o vínculo em geral facilmente identificado com a direita organizada. Envolve também uma perspectiva irresponsável, um comportamento de risco e uma linha de raciocínio de que o "estrago", em acontecendo o pior, pode ser repassado adiante, seja aos trabalhadores (que arcam sempre com o ônus de bancos "socorridos" pelo Estado ou de "bolhas" financeiras estouradas), seja às gerações futuras (a quem caberá desatar o nó da crise climática segundo os negacionistas quando estes fazem concessão, por um minuto, de sua farsa e admitem que a mudança no clima pode vir a provocar catástrofes).

Sobre o pré-sal, o Greenpeace e a "esquerda elitista". Uma crítica às posições de Igor Fuser.

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Anteontem, no Brasil de Fato, Igor Fuser publicou um texto que se propõe a ser uma "crítica séria" a Ana Paula, militante do Greenpeace, que, em seu retorno ao Brasil, após bravamente enfrentar a Gazprom, a gigante fóssil russa que deseja explorar gás e petróleo no Ártico, e o governo Putin, que a manteve detida, defendeu a não-exploração do petróleo do pré-sal.

É preciso que a riqueza chegue às mãos e às casas de muitos milhões de pobres mundo afora. Isso é fato. Centenas de milhões de pessoas mundo afora vivem muito, mas muito longe de um limiar mínimo de dignidade e é, evidentemente, necessário que infraestrutura material de saneamento, mobilidade, comunicação, etc. se faça disponível a todos os assentamentos humanos que a desejarem.

Mas a premissa de Fuser de que "negar ou diluir a dimensão social dos recursos naturais em países periféricos, como o Brasil, é incorrer num elitismo imperdoável" é flagrantemente falsa.

Os novos revolucionários: Cientistas do clima exigem mudança radical (por Renfrey Clarke)

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Traduzo este texto, originalmente publicado na revista online "Climate and Capitalism", no último dia 09/01. Trata-se de um artigo muito interessante, que mostra até onde podem chegar conclusões baseadas essencialmente na Ciência do Clima e no balanço de carbono. Evidentemente, concluir que existe um antagonismo entre a manutenção do equilíbrio do clima global e a permanência dos sistemas planetários de suporte à vida (humana, inclusive) e o modo de produção capitalista amplifica as vozes de contestação ao sistema. Mesmo antes dessa posição surgir mais claramente e crescer, a oposição ao uso de combustíveis fósseis já explica em si muito dos ataques sistematicamente lançados por esta aos cientistas. Pelo visto, esse acirramento do conflito entre ciência e status quo tende a crescer quantos mais forem os cientistas dispostos a se posicionarem como descrito neste artigo. Fica o convite à leitura.
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