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Mostrando postagens de Outubro, 2015

Furacão Patrícia: amostra das tempestades de um planeta cada vez mais superaquecido

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Hoje temos 43% mais CO2 do que na era pré-industrial (os famigerados 400 ppm) e mais do dobro do metano. Isto já aqueceu o planeta em praticamente 1°C. A cada segundo, em função do excesso desses e outros gases de efeito estufa na atmosfera, produzidos pelas atividades humanas (queima de combustíveis fósseis para energia e transporte, desmatamento, agropecuária), o sistema climático terrestre acumula o equivalente à energia de 4 bombas de Hiroshima. É uma quantidade formidável.

Nada menos do que 93% desse calor extra é armazenado nos oceanos. Ele é, então, passado à atmosfera de várias maneiras: em enorme quantidade, mas de forma relativamente lenta, como quando da ocorrência de El Niños muito intensos como os de 1997/1998 e, agora, o de 2015/2016; ou de forma explosiva, através de ciclones tropicais: os furacões e tufões. Esta última parece ser uma forma particularmente eficiente para oceanos superaquecidos se livrarem de suas "bombas de Hiroshima", afinal, a cada segundo,…

A "outra" bomba de carbono: nossa dieta. Parte II - Churrasco de Planeta

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Inicio este segundo artigo da série, destacando, dos dados mostrados em artigo anterior, o fato de que cerca de 4% das emissões globais de gases de efeito estufa se devem única e exclusivamente à fermentação entérica, havendo fortes indícios de que a ampla maioria dessas emissões se deva ao gado bovino (de corte e leiteiro). É algo da ordem de 2 bilhões de toneladas de CO2-equivalente, mesmo sem considerar todos os outros aspectos ligados à pecuária: do desmamento à decomposição de esterco, do uso de fertilizantes para o pasto ao transporte de insumos e, claro, do próprio produto.

É esse aspecto que faz com que - exclusivamente do ponto de vista climático, sem incluir ainda outros aspectos socioambientais - a carne bovina seja provavelmente a pior escolha possível como fonte protéica. Unindo dados da FAO com informações da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCAUSP), chega-se à conclusão de que ela é disparadamente a mais carbointensiva.

A "outra" bomba de carbono: nossa dieta. Parte I - Devorando a Terra

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Como parte das iniciativas do tipo "roda de conversa" que estamos denominando de "Entrando no clima", no último dia 30 de Setembro estivemos no Restaurante Mandir, para debater o vínculo entre alimentação e as mudanças climáticas. Além da minha fala, houve intervenções do Vaikuntha Prasada, nosso anfitrião, do Roberto Araújo e da Neila Santos, o primeiro especialista em gastronomia e a segunda vinculada à agroecologia, que abordaram respectivamente aspectos cultural e social da produção de alimentos. Aproveito esta postagem para repassar um pouco da discussão que fizemos por lá e ampliá-la em alguns aspectos.