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Mostrando postagens de 2016

Porque você nunca deve apostar contra um Cientista do Clima!

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Há duas semanas aconteceu em San Francisco, um encontro da American Geophysical Union (AGU): o AGU Fall Meeting. Em meio ao número enorme de sessões que ocorreram, vou chamar atenção para uma, sob o nome curioso de "Apostando na Mudança Climática: mercados de previsões, avaliação de riscos, seguros, consenso científico e decisões sobre políticas". Como revelou o organizador da sessão, Mark Boslough, em um artigo para o Huffington Post divulgando essa sessão, havia uma história interessante por detrás: a história de uma aposta...

Os 8 fatos climáticos de 2016!

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2016 foi tudo menos um ano típico, em várias áreas, incluindo economia e política. Mas para o clima em especial, 2016 deverá ficar para a história. Nesta espécie de retrospectiva, vamos mostrar alguns dos "fatos climáticos" mais marcantes desse ano que muita gente não vê a hora de acabar!

Oceano azedo: há mais sobre o CO2 do que a mudança climática

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Quando nosso blog foi criado há 4 anos, já havia evidências impressionantes sobre a gravidade da crise climática e após a publicação do 5º relatório do IPCC e de uma série de artigos científicos nos periódicos mais conceituados, apenas ficou mais nítido que o quadro é simplesmente o de uma catástrofe se desenvolvendo perante nossos olhos: degelo, secas, ondas de calor, supertempestades, recordes climáticos e eventos anômalos um após o outro. Mas imagine por um instante que os negacionistas das mudanças climáticas tenham razão. Sim, sabemos que eles não têm, que aquilo que eles propagam são mentiras grotescas, e que o aquecimento global é real, é antrópico e é perigoso. Mas façamos brevemente esse esforço...

Maggi: um ruralista pra lá de Marrakech

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A eleição de Donald Trump, nos EUA, caiu como uma bomba em Marrakech, onde está sendo realizada a COP22 e em nosso blog já dedicamos um longo artigo analisando os graves perigos que isso representa. Acontece que não é só da parte norte do continente americano que partem ameaças ao frágil consenso construído em torno do Acordo de Paris, sim, aquele mesmo que já era só letra e que pelo andar da carruagem deve virar letra morta mais cedo do que o que se imaginava. O Brasil, que geralmente posa de bom moço nas conferências climáticas, desta vez resolveu passar vergonha também...

Cadê o gelo que estava aqui?, parte II

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Há poucos dias publiquei um artigo mostrando que, apesar de não ter sido batido o recorde de degelo no verão do Ártico (a menor área coberta por gelo continua a ser aquela alcançada em 2012), desde que se tem registro a recuperação do gelo marinho nunca foi tão lenta. A tendência, como mostramos nesse artigo anterior, é nítida no sentido de estabelecimento de recordes negativos para a cobertura de gelo no inverno.

Só que a perda de gelo ao redor do polo norte não é exatamente novidade. Embora o processo esteja se dando de maneira bem mais acelerada do que indicado pelas primeiras projeções climáticas, com recordes negativos de cobertura de gelo e temperaturas até 20°C acima do normal, a tendência de redução da massa de gelo no Ártico (tanto o gelo marinho quanto o gelo do manto da Groenlândia quanto o permafrost) já vem se acelerando há pelo menos duas décadas. Novidade mesmo é que o gelo marinho ao redor da Antártica, que vinha apresentando uma tendência a se expandir nos últimos an…

Novo estudo mostra: aquecimento global inibirá efeito resfriador de vulcões

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Como já mostramos em alguns artigos em nosso blog, vulcões exercem um papel muito peculiar no clima. Especialmente em grandes explosões vulcânicas, um número enorme de partículas é lançado na atmosfera e esses aerossóis têm a capacidade de bloquear parte da radiação solar. Por conta da estrutura termodinâmica de nossa atmosfera (mostrada na figura ao lado), se a erupção for violenta o suficiente para fazer com que parte desse material chegue à estratosfera, os impactos se tornam bem maiores, pois a estratosfera é muito estável, com pouco movimento vertical e sem a formação de nuvens de chuva. Daí, enquanto na troposfera os aerossóis vulcânicos são rapidamente removidos pelas correntes de ar e pela precipitação, na estratosfera podem permanecer por um longo período, produzindo um efeito resfriamento relativamente prolongado (de alguns meses a poucos anos), conhecido como "inverno vulcânico". Um exemplo desse fenômeno aconteceu recentemente, com a explosão do Monte Pinatubo, …

Efeito Estufa, Efeito Trump

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Aparentemente surpreendendo a ampla maioria dos institutos de pesquisa e contrariando a vontade de amplas parcelas "establishment" e da mídia, que se alinharam com a candidata do Partido Democrata Hillary Clinton, os EUA elegeram o bilionário Donald Trump como seu próximo presidente em mais um episódio que indica um preocupante avanço de posições populistas de direita e uma perigosa ressonância para discursos de ódio. Não podemos esquecer que além de suas posturas abertamente xenófobas, racistas e machistas, é muito bem documentado o fato de que Trump é um negacionista climático de carteirinha. Tendo isso em conta, uma pergunta que surge, especialmente tendo a eleição de Trump caído como uma bomba na semana em que se iniciou a COP22 em Marraquech, é sobre quão danosa poderá ser a estadia desse senhor na Casa Branca para o clima.

Cadê o Gelo que Estava Aqui?

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O Ártico, além de abrigar diversas espécies de outros animais, como o urso polar (Ursus maritimus) e a raposa-do-Ártico (Alopex lagopus), mostrada na foto ao lado, é também o lar de inúmeros povos e comunidades tradicionais. Há diversas mudanças em curso no clima global, incluindo mudança na frequência de eventos extremos como ondas de calor, secas, furacões. Algumas dessas mudanças são nítidas, mas talvez nenhuma seja tão dramática, rápida e visível quanto o que está acontecendo por lá.


Sobre os Graves Erros de Cowspiracy

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O filme "Cowspiracy" apareceu como uma verdadeira bomba quando foi lançado em 2014. Até hoje é mencionado como um exemplo de financiamento coletivo muito bem sucedido e, tendo conquistado Leonardo DiCaprio como produtor-executivo, estreou no Netflix em 2015, ganhando muita audiência e com uma mensagem (pelo menos aparentemente) contundente. Não cheguei a encontrar informações a esse respeito, mas acredito que a essa altura o público atingido tenha se multiplicado bastante, podendo ter chegado a vários milhões de pessoas. É um fato que o debate alimentar tem sido omitido injustificadamente em vários momentos. E isso quando, juntando-se as emissões de metano e óxido nitroso da agropecuária com o desmatamento, chega-se a aproximadamente um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa, não pode permanecer em tal situação. Em nosso blog, abrimos o debate com dois artigos e pretendemos voltar a ele mais extensivamente em outros momentos. Nesse contexto, portanto, conside…

Apostar em futuras tecnologias de CCS: um erro que pode nos custar o próprio futuro.

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Posso estar enganado, mas parece estar acontecendo um certo deslocamento na cortina de fumaça em relação à crise climática. Estou sentindo que o negacionismo mais tradicional (e mais estúpido) está perdendo fôlego. Até porque não apenas as evidências científicas estão mais sólidas, mas elas têm revelado que o problema é bem mais grave. Pior do que isso, o aquecimento global deixou de ser algo reservado para um futuro distante, manifestações visíveis das mudanças climáticas já estão aí, desalojando e matando pessoas e produzindo prejuízos econômicos. De fato, com quebras de recordes sucessivos de temperatura média global em 2014, 2015 e agora - já dado como certo pelos principais climatologistas do mundo - em 2016, realmente é estranho alguém permanecer repetindo coisas tão malucas quanto "o planeta está resfriando", "o clima parou de aquecer em 1998", "vamos entrar em uma nova era glacial" e bobagens do gênero...

O dia 26 de agosto de 2016 será para sempre lembrado. Dica: tem a ver com o CO2.

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O dia 26 de agosto de 2016 vai entrar certamente para a história. Mas não por conta do 106º aniversário de nascimento de Madre Tereza de Calcutá ou do 102º aniversário de fundação da Sociedade Esportiva Palmeiras. Tampouco será por nesse dia terem-se completado 227 anos desde que a Assembléia Nacional Constituinte da França revolucionária aprovou a "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão"...


Política energética nos EUA: Clima em Perigo

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No próximo dia 08 de novembro, a população dos EUA irá às urnas, tendo duas candidaturas com chances reais de vitória: o republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton, que derrotou, num processo bastante questionável, a pré-candidatura de Bernie Sanders, que tinha um conjunto de propostas bastante adequadas para o enfrentamento das mudanças climáticas.

A conjuntura em que se dá a disputa presidencial é crítica para o clima global, pois embora o Acordo de Paris seja claramente insuficiente para a solução da crise climática (o que foi exaustivamente demonstrado em nosso blog em uma série de artigos), o país o ratificou, juntamente com a China. Embora as mudanças climáticas estejam ficando praticamente de fora dos debates, a questão energética entrou como um dos tópicos do debate realizado agora há pouco. Infelizmente, o que o debate revelou nesse quesito é que temos muitos motivos para nos preocuparmos qualquer que seja o desfecho das eleições.

Recordes de temperatura literalmente de outro mundo.

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Há 3 anos, surgiram, na literatura científica, evidências de que já havíamos atingido temperaturas médias globais acima de quaisquer outras durante o Holoceno (época geológica correspondente aos últimos 10 mil anos de relativa estabilidade no clima e que agora deu lugar ao Antropoceno). Levantamentos robustos, como os apresentados por Marcott et al. (2013) mostravam já naquele momento que ultrapassávamos o chamado "Ótimo Climático do Holoceno Médio", intervalo de tempo naturalmente mais quente do que os anos pré-industriais ocorrido há ~6000 anos (vide figura).

Um Nordeste mais árido: outro provável legado das mudanças climáticas

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O artigo "Projeções de Mudanças Climáticas sobre o Nordeste Brasileiro dos Modelos do CMIP5 e do CORDEX" de autoria de Guimarães et al. (o primeiro autor, Sullyandro Guimarães, foi meu orientando de mestrado e eu, junto com outros colegas e ex-alunos, sou um dos co-autores) foi recém-publicado na Revista Brasileira de Meteorologia. Até onde sei é a primeira análise de fôlego usando conjuntamente os dados disponíveis do CMIP5 (Coupled Model Intercomparison Project, 5th Phase), isto é, modelos globais e do CORDEX (Coordinated Regional Climate Downscaling Experiment), isto é, modelos regionais, voltada para a região. O conjunto de simulações inclui as "rodadas" feitas por nosso grupo de pesquisa aqui mesmo na Universidade Estadual do Ceará e aproveito o espaço não apenas para divulgar o trabalho e aproveitar para falar um pouco da modelagem climática feita para e por estas bandas, como também para agradecer a todos que o compõem. Devo dizer, porém, que, entrando no q…

Clima não rima com lucro ou porque a crise climática não se resolveu em Paris

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O artigo a seguir, de minha autoria, foi publicado recentemente no 11º número da revista "Socialismo e Liberdade", publicada pela Fundação Lauro Campos. A fundação é ligada ao PSOL, como uma espécie de "usina de ideias" para o partido, mas me agrada que ela se coloque para além disso e se pretenda "um fórum amplo dos que na sociedade brasileira se identificam com os valores do socialismo e da liberdade"

Como coloco no final do mesmo, é "estranho e lamentável que boa parte da esquerda não tenha acordado para a urgência e relevância da questão (climática)". No entanto, o fato de tal artigo ter aparecido no veículo pode ser um chama de esperança no sentido de que isso se reverta. Quem sabe?

Porque somos contra o Incentivo Fiscal para Termelétricas no Ceará

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Este texto foi elaborado em meio a um forte embate contra uma proposição apresentada pelo Governo do Estado do Ceará, de reduzir o ICMS para o gás natural para novas termelétricas. O lamentável projeto foi, apesar de muita pressão que levou a adiamentos indesejados para o Sr. Camilo Santana e para os grupos econômicos diretamente interessados, aprovado no mês passado. É possível que a demora tenha efetivamente contribuído para que o projeto de nova termelétrica que estava inscrito no leilão de energia de 2016 não tenha mais aparecido na listagem de projetos habilitados. No entanto, como esta é uma batalha longa e o texto contém informações relevantes e links com mais informação, resolvemos trazê-lo para o blog. Até porque Fortaleza teve racionamento de água anunciado e é preciso manter o combate ao funcionamento dessas empresas sedentas, poluentes e emissoras no estado do Ceará, contexto em que movimentos sociais, como o "Ceará no Clima" devem oferecer resistência.

Uma Fratura no Clima

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O aumento significativo da presença das termelétricas a gás nos EUA e recentemente também no Brasil é um fator preocupante. Não apenas porque, como qualquer outro combustível fóssil, o suproduto da queima do gás natural é o CO2, o que faz com que um número maior dessas unidades de produção elétrica contribua para agravar o efeito estufa, mas também pelo fato de o aumento da demanda ter levado a um crescimento da exploração não-convencional do gás, incluindo a chamada fratura hidráulica, ou fracking. Há uma variedade enorme de impactos associados a esta técnica, de contaminação do lençol freático à produção de sismos. Mas neste artigo, ao invés de abordar essa variedade de impactos, nos propomos a fazer uma crítica ao principal (pseudo-)argumento levantado para defender o uso do gás natural como fonte de energia: o de que, comparado a outras fontes fósseis, ele seria "menos poluente" ou de que ele poderia servir como uma "ponte" ("bridge fuel") por supost…

Brasil: Leilão de Energia com Termelétricas contraria Acordo de Paris

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No dia da assinatura do Acordo de Paris, Leonardo DiCaprio fez um discurso brilhante, defendendo o fim dos combustíveis fósseis e Evo Morales criticou duramente o capitalismo como principal causador, em última instância, das mudanças climáticas (embora haja críticas bastante procedentes à abertura que o governo de Morales tem dado para a exploração de hidrocarbonetos em seu país). A eles, somaram-se o senso de urgência declarado de Ban-Ki-Moon, o depoimento emocionante da representante da sociedade civil, Hindou Oumarou Ibrahim, do povo Mbororo, de Chad. Isso já teria sido suficiente para ofuscar os discursos mais protocolares, como o que Dilma proferiu. Mas é preciso reconhecer que mesmo com a crise interna e ainda sob efeito do show de horrores do dia 17/04, a presidenta tocou em pontos importantes: desmatamento e menor dependência das fontes fósseis.

Golpe mesmo é o Antropoceno!

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Nas últimas semanas, a ebulição política no Brasil, com manifestações de rua, grampos nos telefonemas trocados entre Lula e Dilma, condução coercitiva do ex-presidente e processo de impeachment sobre a atual, documentos da Odebrecht incriminando meio mundo (Aécio, Cunha, Alckmin, Renan Calheiros e quem mais interessar possa), tem deixado pouco espaço para se discutir qualquer outra coisa. Afinal, o que pode ser mais importante do que uma crise política tão aguda, com desdobramentos quase imprevisíveis e que pode levar até a ameaças às liberdades democráticas com grupos fascistas ou similares se assanhando? Então... Acreditem... tem coisa bem mais relevante e bem mais perigosa. Os que quiserem saber do meu posicionamento político sobre a atual conjuntura brasileira, é fácil. Basta dar uma olhadinha em minhas páginas pessoais nas redes sociais. Mas aqui, o assunto, como vocês sabem, é clima. E na semana passada, dois artigos caíram como verdadeiras bombas, fazendo com que a crise climá…

50 Ilhas e 1 destino - Por Caio Almendra

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Em Teoria Geral do Estado, uma disciplina do Direito, aprendemos que um país é formado por um território(um espaço físico), seu povo(quem habita tal espaço ou é ligado cultural e juridicamente a ele) e a soberania(a relação jurídica entre o Estado e seu território). A perda completa de um dos três encerra o país.

Assim, a única causa de um país ir ao fim é a perda de soberania por perda de território. Até o século passado, isso só acontecia em uma situação: guerra. No final do século passado, outra situação foi aventada em Nauru. Nesse século, podemos ver outra situação acontecer em mais de 50 ilhas e três nações.

E o clima? Por um verdadeiro debate sobre o pré-sal.

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Após ser assegurado o regime de urgência em sua votação, o Senado Federal aprovou (nesta quarta-feira, 24/02), por 40 votos favoráveis, 26 contrários e duas abstenções, o projeto de lei que altera as regras de exploração de petróleo do pré-sal. Em essência, a proposta faz com que a Petrobrás perca a exclusividade das atividades no pré-sal e faz com que, em lotes a serem definidos e submetidos a leilões com as mesmas regras de fora do pré-sal, não haja mais a obrigatoriedade de a Petrobrás entrar com pelo menos 30% dos investimentos em todos os consórcios de exploração. Mas o debate tem andado longe de abordar a real essência do problema.

Balanço da COP21. Parte III: Onde estão os recursos para resolver a crise climática?

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Nos três textos anteriores de análise dos resultados da COP21 (aqui, aqui e aqui) mostrei que, apesar de o Acordo sinalizar como objetivo limitar o aquecimento global em níveis "bem inferiores a 2°C acima dos valores pré-industriais", existe uma incompatibilidade entre as orientações genéricas para os anos do pico de emissões e do "equilíbrio entre fontes e sumidouros" e este mesmo objetivo. O aparente senso de urgência expresso na parte introdutória do Acordo de Paris, não é materializado em medidas práticas à altura dessa mesma urgência. Como é impossível resolver a crise climática sem atingir o sistema econômico que a causou, fica claro que, do ponto de vista material, a generalidade nas metas pariu a timidez nas ações. Em particular, a mobilização de recursos e a política de transferência de tecnologias apresentados são de uma insuficiência gritante, mostrando que não pode haver maior inimigo do clima do que a proteção implícita dos interesses privados, dos pr…