quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Maggi: um ruralista pra lá de Marrakech

Ministro da Agricultura Blairo Maggi dando um tchauzinho
para o clima. Foto: Estadão.
A eleição de Donald Trump, nos EUA, caiu como uma bomba em Marrakech, onde está sendo realizada a COP22 e em nosso blog já dedicamos um longo artigo analisando os graves perigos que isso representa. Acontece que não é só da parte norte do continente americano que partem ameaças ao frágil consenso construído em torno do Acordo de Paris, sim, aquele mesmo que já era só letra e que pelo andar da carruagem deve virar letra morta mais cedo do que o que se imaginava. O Brasil, que geralmente posa de bom moço nas conferências climáticas, desta vez resolveu passar vergonha também...

Cadê o gelo que estava aqui?, parte II

Gelo marinho ao redor da Antártica em 16/11/2016,
comparado com a mediana no período de 1981-2010.
Mas o sistema parece ter alterado seu comportamento
e o gelo marinho encolheu muito este ano. Fonte:
National Snow and Ice Data Center (NSIDC)
Há poucos dias publiquei um artigo mostrando que, apesar de não ter sido batido o recorde de degelo no verão do Ártico (a menor área coberta por gelo continua a ser aquela alcançada em 2012), desde que se tem registro a recuperação do gelo marinho nunca foi tão lenta. A tendência, como mostramos nesse artigo anterior, é nítida no sentido de estabelecimento de recordes negativos para a cobertura de gelo no inverno.

Só que a perda de gelo ao redor do polo norte não é exatamente novidade. Embora o processo esteja se dando de maneira bem mais acelerada do que indicado pelas primeiras projeções climáticas, com recordes negativos de cobertura de gelo e temperaturas até 20°C acima do normal, a tendência de redução da massa de gelo no Ártico (tanto o gelo marinho quanto o gelo do manto da Groenlândia quanto o permafrost) já vem se acelerando há pelo menos duas décadas. Novidade mesmo é que o gelo marinho ao redor da Antártica, que vinha apresentando uma tendência a se expandir nos últimos anos, está neste momento ocupando uma área muito abaixo do normal.

Novo estudo mostra: aquecimento global inibirá efeito resfriador de vulcões

Estrutura vertical da atmosfera terrestre. Mais de
80% da massa da atmosfera se localiza na
camada  inferior (troposfera). Acima desta,
localiza-se a estratosfera.
Como já mostramos em alguns artigos em nosso blog, vulcões exercem um papel muito peculiar no clima. Especialmente em grandes explosões vulcânicas, um número enorme de partículas é lançado na atmosfera e esses aerossóis têm a capacidade de bloquear parte da radiação solar. Por conta da estrutura termodinâmica de nossa atmosfera (mostrada na figura ao lado), se a erupção for violenta o suficiente para fazer com que parte desse material chegue à estratosfera, os impactos se tornam bem maiores, pois a estratosfera é muito estável, com pouco movimento vertical e sem a formação de nuvens de chuva. Daí, enquanto na troposfera os aerossóis vulcânicos são rapidamente removidos pelas correntes de ar e pela precipitação, na estratosfera podem permanecer por um longo período, produzindo um efeito resfriamento relativamente prolongado (de alguns meses a poucos anos), conhecido como "inverno vulcânico". Um exemplo desse fenômeno aconteceu recentemente, com a explosão do Monte Pinatubo, em 1991, que levou a uma redução de cerca de 0,5°C nas temperaturas globais, mas há registros de eventos bem mais intensos no passado, como a explosão do Tambora, após a qual estima-se uma queda na temperatura global de até 3°C.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Efeito Estufa, Efeito Trump

Dentre outros inúmeros absurdos, Trump defendeu o incentivo
à exploração do carvão para "gerar empregos"
Aparentemente surpreendendo a ampla maioria dos institutos de pesquisa e contrariando a vontade de amplas parcelas "establishment" e da mídia, que se alinharam com a candidata do Partido Democrata Hillary Clinton, os EUA elegeram o bilionário Donald Trump como seu próximo presidente em mais um episódio que indica um preocupante avanço de posições populistas de direita e uma perigosa ressonância para discursos de ódio. Não podemos esquecer que além de suas posturas abertamente xenófobas, racistas e machistas, é muito bem documentado o fato de que Trump é um negacionista climático de carteirinha. Tendo isso em conta, uma pergunta que surge, especialmente tendo a eleição de Trump caído como uma bomba na semana em que se iniciou a COP22 em Marraquech, é sobre quão danosa poderá ser a estadia desse senhor na Casa Branca para o clima.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Cadê o Gelo que Estava Aqui?

O Ártico, além de abrigar diversas espécies de outros animais, como o urso polar (Ursus maritimus) e a raposa-do-Ártico (Alopex lagopus), mostrada na foto ao lado, é também o lar de inúmeros povos e comunidades tradicionais. Há diversas mudanças em curso no clima global, incluindo mudança na frequência de eventos extremos como ondas de calor, secas, furacões. Algumas dessas mudanças são nítidas, mas talvez nenhuma seja tão dramática, rápida e visível quanto o que está acontecendo por lá.


De onde saiu tanto negacionismo?

Nas últimas duas semanas pensei várias vezes na frase “quanto mais rezo, mais assombração me aparece”. Daí lembrei que, como bom ateu, n...

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